quarta-feira, 17 de junho de 2015

HQ do Dia | Black Canary #1

Canário Negro estreia seu novo título detonando os palcos da DC Comics.

O que esperar de um título protagonizado por Dinah Lance no meio de uma turnê com uma banda de rock? Black Canary era um verdadeiro mistério na nova DC Comics desde que o título foi anunciado no início deste ano. Spin off de Batgirl? HQ adolescente indie? Reboot de uma das mais queridas personagens do universo DC? A resposta é: Nenhuma das alternativas anteriores. Black Canary é a estreia de um título com personalidade própria que se sustenta com as próprias pernas e que dá um rumo inesperado para uma das personalidades mais fortes desta editora.

O roteiro de Brenden Fletcher na edição de estreia põe Dinah em uma situação bastante diferente do que está acostumada. A moça não é uma frontman nata e isso fica aparente nas cenas de shows. A turnê de Canário Negro (que é o nome da banda) começa conturbada, com apresentações interrompidas por causa de misteriosos ataques à vocalista, destruição das casas de shows, fãs admirados / assustados e um verdadeiro caos. No meio dessa bagunça somos apresentados à banda que forma o elenco de apoio da HQ: A centrada baterista Lord Byron, líder da banda e principal interlocutora nesta história; A emburrada tecladista e geek tech Paloma Terrific e a misteriosa e muda guitarrista prodígio conhecida como Ditto. O único cara no elenco de apoio é o atrapalhado produtor chamado Heathcliff, mas não se preocupe. Ele não passa nem perto de interesse romântico da protagonista nesta edição. Dinah está no palco aparentemente pelo dinheiro. A protagonista é uma cantora incrível, mas relutante. Ela precisa da grana, mas tem que cumprir este contrato. Isso a colcoa em uma situação bem desconfortável. Pondo em risco seus companheiros de banda e fãs. Fletcher conduz a história com naturalidade, apresentando os personagens de maneira fluída.. A HQ alterna o tempo todo entre diálogos conflitantes revelando um pouco dos bastidores da turnê de uma banda de rock e as cenas de ação que mostram o que Dinah faz de melhor: Enfia a porrada em vagabundo. A destruição e o caos que seguem a banda por todos os seus shows dão aquele ar meio decadente das turnês de bandas da década de 1970-80 em lugares pequenos e isso dá uma cara muito diferente para esta publicação.

A arte de Annie Wu aqui é simples, direta, intencionalmente suja e meio tosca, mas vibrante, potente e marcante.Afinal Black Canary é um gibi sobre uma banda de rock em uma turnê extremamente conturbada e com uma vocalista com sérias tendências à violência. Então a parte gráfica não tem nada de "bonitinha". A HQ tem aquela cara de esboço, como se tivesse sido desenhada toda de uma vez. Isso dá muita naturalidade às cenas de diálogo e impacto nas cenas de shows / ação. Isso em momento algum afeta o entendimento da história. Essa "tosqueira" é parte do estilo da ilustradora que combina bastante com a proposta rock 'n roll do gibi. O design do elenco é icônico. Até pelas silhuetas você reconhece quem é quem. E isso, nas cenas de shows facilita muito a compreensão. A colorização é fosca / escura dando aquele clima de "pé na estrada" que o roteiro evoca.

Black Canary #1 é um título muito diferente da linha editorial da DC Comics. Esta HQ é primeiramente uma história sobre uma banda de rock em uma turnê cheia de problemas. Este não é um título sobre uma vigilante que nas horas vagas canta em uma banda. De alguma forma Brenden Fletcher consegue inserir neste contexto ação, mistério e um pouco da ficção que permeia todo os universo de super heróis da DC Comics. É um balanço delicado, mas executado com naturalidade e sem deixar o título monótono. A arte de Annie Wu é tosca, é agressiva, é feroz, é bem estranha por vezes, mas é perfeita para este tipo de título. Dinah realmente ganhou um presente este ano. Ela é a estrela de um título com temática e visual que fogem do amontoado de mesmice que infecta o mercado de quadrinhos mainstream na atualidade.

terça-feira, 16 de junho de 2015

HQ | Lançamentos da semana 17-06-2015

Canário Negro, O retorno dos Fugitivos e um festival de Thors nos lançamentos desta semana.
 
É hora de conferir os principais lançamentos em quadrinhos lá fora desta semana. Aqui separamos alguns dos títulos mais aguardados pelo público e crítica.


 Black Canary #1

Dinah Lance cai na estrada! Mas seus dias de espancar bandidos estão muito longe de terem terminado. Brenden Fletcher (Batgirl) e Annie Wu (Gavião Arqueiro) misturam rock 'n roll, super espiões e artes marciais no novo título da Canário Negro que estreia esta semana.


 Dr Fate #1

O deus egípcio da morte, Annubis pretende inundar o mundo e lavá-lo e a única pessoa que pode impedi-lo é o novo Senhor Destino - um jovem estudante de medicina do Brokklyn que não tem ideia do que está fazendo.




Harley Quinn & Power Girl #1

Harley e a Poderosa estão juntas novamente nesta mini-série em seis partes que começa esta semana. As duas moças estão em outra dimensão tendo que sacrificar sua dignidade para enfrentar o implacável Vartox. Para mais detalhes sobre esta mini leia nossa entrevista com o autor da revista, Jimmy Palmiotti aqui.   



Justice League of America #1

Finalmente poderemos conferir a estreia do aclamado ilustrador Bryan Hitch em um título escrito e desenhado por ele na DC Comics. História fora da continuidade atual do título principal da Liga sobre uma pacífica e misteriosa raça alienígena que chega ao planeta Terra com objetivos excusos.


Robin Son of Batman #1

Título solo de Damian Wayne. O menino prodígio e seu mais novo companheiro (um demônio gigantesco chamado Goliath) partem mundo afora para tentar se redimir pelos seus anos sangrentos.


Astronauts in trouble #1

Esta semana a Image Comics começa a republicar o material que lançou o ilustrador do sucesso The Walking Dead para o mundo. Astronauts in trouble é uma série criada por Larry Young que foi publicada originalmente em 1999 e deu origem a editora AiT (Astronauts in trouble). Na HQ que se passa em 1959, o time de jornalistas do Canal 7 vai até o Peru para investigar assassinatos e se veem envolvidos com espiões Russos, uma base espacial, cerveja barata e roupas de astronauta.


Runaways #1

Mais um tie in de Guerras Secretas estreia esta semana trazendo os jovens mais brilhantes do Mundo de Batalha da Marvel que são selecionados para frequentar a escola mais prestigiosa desta realidade na capital do planeta. Mas quando os jovens descobrem que o diretor do colégio é na verdade um super-vilão o que eles fazem? Fogem! A criadora do sucesso Lumberjanes, Noelle Stevenson nos trás uma história sobre jovens confusos e superpoderosos em um novo universo Marvel.

 Squadron Sinister #1

Estava com saudades de Hipérion, Doutor Spectro, Nighthawk e todo o elenco do Esquadrão Supremo? Pois eles estão de volta, mas como os vilões mais terríveis do Mundo de Batalha. Neste tie in de Guerras Secretas somos apresentados aos caras que vão tentar destronar o soberano deus Victor Von Doom.


Thors #1

Você conheceu a força policial do Mundo de Batalha nas três primeiras edições de Guerras Secretas e aqui o escritor Jason Aaron vai se aprofundar no universo dos guardiões do novo universo Marvel. Uma HQ de investigação com muitas capas, sotaques shakeperianos e martelos pra todos os lados.

E aí? Semana boa ou fraca nos quadrinhos lá fora? Se interessou por algum título? Deixe seus comentários abaixo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

HQ do Dia | Harley Quinn #3

Especial de Dia dos Namorados. Aprenda a ser solteiro (a) com a Harley.

Dia dos namorados. Aquela data que ou te força a se sentir na obrigação de "fazer um agrado" para seu companheiro ou te faz sentir um miserável por estar sozinho. Isto não é exclusividade sua. Nos quadrinhos também acontece. E esta resenha é uma boa dica de leitura para a data.

Nesta edição especial de Dia dos namorados de Harley Quinn, escrita por Amanda Conner e Jimmy Palmiotti (que já entrevistamos aqui) a assassina desequilibrada mais adorável da DC Comics está solteira, entediada e com saudades do Senhor J. (O Coringa). Seguindo o conselho de seu adorável mascote, o Castor Bernie, ela sai para comemorar seu recente emprego em um bar de solteiros, mas não sem antes consumir uma misteriosa "frutinha" proveniente de uma planta deixada de presente por sua amiga, Hera Venenosa. É a receita para uma noite de dia dos namorados das mais estranhas na vida da personagem.

Assim como muitas das edições do primeiro volume de Harley Quinn (que resenhamos aqui) este terceiro número é ideal para se ler mesmo que você não esteja acompanhando fielmente as aventuras de Harley. Harley Quinn #3 tem a seu favor o fato de ser uma edição com uma história contida e sem amarras muito fortes aos números anteriores. O roteiro de Conner e Palmiotti e leve, cheio de violência gráfica e piadas. E sinceramente, onde você vai encontrar uma história sobre dia dos namorados na qual a protagonista enfrenta um batalhão de presidiários excitados em uma loja de ferramentas? Só aqui mesmo. Assim como todas as edições de Harley Quinn do run de Palmiotti e Conner esta aqui não tem um roteiro profundo nem muito elaborado, mas sim uma proposta de divertir e desconstruir valores sobre uma data comemorativa que no fundo não faz muito sentido. E nisso eles se superam.

A arte de Chad Hardin em Harley Quinn #3 é adorável: Espingardas no túnel do terror, pregos, machado e membros voando na loja de ferramentas e todo o resto do elenco correndo atrás de Harley que nem um bando de cães no cio durante a revista inteira. A caracterização é o forte do artista, com expressões faciais bem distintas e personagens marcantes, mesmo que eles só "durem" 2 páginas no gibi. As cenas de ação são um misto de comédia gore e desenho animado pervertido, então é só alegria.

Harley Quinn #3 mais uma vez demonstra que uma boa leitura não precisa ser tão séria. Em relação ao Dia dos namorados, a história (que diga-se de passagem é escrita por um casal) é um tiro nada sutil na data. Apesar de toda a violência extravagante, as piadas e o visual cartunesco, no final temos uma curta reflexão da protagonista sobre a real intenção da data. É raro uma publicação sobre datas temáticas deste tipo com alguma mensagem relevante e a deixada em Harley Quinn #3 (dentro de sua loucura) é simples, direta e verdadeira.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

HQ do Dia | Ghost Racers #1

Apertem os cintos! A corrida mais desgraçada da Marvel começa aqui.

Guerras Secretas, a mais recente saga do universo Marvel que junta diferentes realidades da história da editora, parece ter despertado as veias criativas mais primais de alguns profissionais envolvidos e suas séries tie ins. Em algumas histórias, pode-se ver claramente que o complexo conceito da saga de Jonathan Hickman foi aproveitado em títulos extremamente simples, baseados em uma premissa que dá para ser explicada em uma frase e se valendo de um roteiro que poderia ser escrito por uma criança de 10 anos de idade.

Este é o caso de Ghost Racers #1 de Felipe Smith e Juan Gedeon. Na edição de estreia do gibi (não tem outro nome que encaixe melhor), somos apresentados ao conceito dos Corredores Fantasmas - Encarnações do Espírito da Vingança que são mantidos sob cárcere pelas forças do deus Victor Von Doom e forçados a correr periodicamente para o entretenimento da população da "Capital" do Mundo de Batalha conhecida como Doomstadt. O vencedor das corridas mantém sua liberdade enquanto os outros apodrecem em uma cela até uma próxima corrida. O elenco é pequeno composto pelas versões mais clássicas do personagem encarnadas por Johnny Blaze e Danny Ketch seguidas da representação ancestral do personagem, Carter Slade e de Alejandra Blaze (A Motoqueira Fantasma durante a saga Essência do Medo). Estes acabam sendo os coadjuvantes para o verdadeiro protagonista da saga, Robbie Reyes, o atual Corredor Fantasma da editora.

O roteiro de Felipe Smith em Ghost Racers é linear, desprovido de camadas e quase que completamente voltado para a corrida em questão. Os personagens são apresentados no meio do alvoroço da linha de largada através da narração do apresentador do evento,uma versão do vilão Arcade e daí para frente é correria, explosões, batidas, xingamentos e violência em alta velocidade. No final até temos uma breve passada na situação dos perdedores e do vencedor para estabelecer motivações, mas o foco da primeira edição é a correria acéfala e descontrolada. Se você não curte este modelo mais simples de quadrinhos não é uma opção de leitura recomendada, mas para quem cresceu lendo histórias nas quais o "aqui" e "agora" eram mais importantes do os "porquês" esta é uma opção extremamente sincera de entretenimento.

A arte de Juan Gedeon não parece nem um pouco impressionante nas primeiras 4 páginas da revista e você com certeza vai duvidar da capacidade do artista até que subitamente é dada a largada e o traço meio "sem sal" se transforma em uma atrocidade sobre rodas flamejantes disparando inferno, balas e correntes por tudo quanto é quadro. A arte de Gedeon realmente se transforma abruptamente assim como os protagonistas e é de longe (milhas de distância) o destaque da edição de estreia. A corrida é visualmente incrível, com variações de tomadas a todo o tempo, cortes abruptos, design cinético e um fluxo inteligível de ação. O redesign de alguns personagens como Alejandra Blaze e o "Centauro Zumbi Fantasma", Carter Slade são irrepreensíveis, verdadeiros presentes visuais para os fãs do Espírito da Vingança. Com o término a corrida, as ilustrações de Gedeon intencionalmente se transformam novamente nos rabiscos monótonos e sem graça de outrora para contrastar com a parte da corrida. Uma sacada sutil e interessante do autor que dá ainda mais impacto às cenas durante a corrida.

Felipe Smith e Juan Gedeon podem ser acusados de várias coisas nesta estreia de Ghost Racers: O roteiro é simplório, raso e infantil? Sim. Os personagens são superficiais? Completamente. A história é somente uma desculpa para as cenas de ação? Com certeza. O que não se pode falar da dupla é de que não há sinceridade na proposta apresentada desde as prévias deste tie in. Ninguém te prometeu uma leitura que vá explodir a tua cabeça e fazer você repensar toda a sua vida. Ninguém te prometeu um elenco original e cheio de conflitos internos. E com certeza ninguém te prometeu um novo clássico de arte sequencial. Dito isto, no que se propõe, Ghost Racers atende quem quer um bom passatempo de alta octanagem com uma arte intencionalmente instável e descontrolada. A HQ não deve ser analisada muito profundamente. É ler, se divertir por 15 minutos e partir para a próxima corrida. Se isso é pouco para você fique longe destes corredores.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

HQ do Dia | Batman #41

Confira a resenha da estreia do novo Batman.

Esta semana marca a estreia do novo Batman na volta à continuidade do título principal do personagem após os eventos da saga Endgame (que tem resenha aqui). Desde a divulgação do novo design, identidade e proposta do personagem muito se questionou sobre as decisões da aclamada equipe criativa composta por Scott Snyder e Greg Capullo. O fato é que independente do gosto pessoal do leitor e da repercussão na internet, essa realmente é uma proposta muito diferente e ousada para um substituto de um dos maiores ícones dos quadrinhos.

Dito isto nos deparamos com a fatídica edição número 41 de Batman na qual (mais uma vez) o manto do Homem-Morcego é passado para um vigilante substituto. Em termos de estrutura narrativa Scott Snyder estabelece dois tempos distintos: O presente que é o "feijão com arroz" de HQ de super-herói - Temos um novo Batman, ele tem que enfrentar uma ameaça e ainda está aprendendo as coisas, ele enfrenta esta ameaça de um jeito diferente. Ok. E temos o tempo passado no qual o roteirista apresenta as justificativas e dá embasamento para que os eventos do tempo presente tenham sustentação - Então ficamos sabendo de fato quem é o novo Batman (Mesmo que você não leia a HQ já deve saber a identidade, né?), quais são os motivos que o fizeram assumir a tarefa de ser o novo Cavaleiro das Trevas e o principal: Porque o Departamento de Polícia de Gotham decidiu que precisa do auxílio de um vigilante mascarado oficialmente para combater o crime na cidade. A história no tempo presente funciona perfeitamente. Temos aquele velho clichê do herói que ainda está aprendendo a ser herói e que tem uma visão completamente diferente do que é ser o Batman e isso de fato é a parte mais interessante da revista. Temos bastante ação e narrações que humanizam bastante o protagonista. Impossível não simpatizar com este novo alter-ego do Morcego. Este Batman opera de uma maneira bem diferente do anterior (por limitações óbvias) e isto torna esta versão muito interessante e promete gerar ótimos frutos no futuro. Já no tempo passado (onde ficam as tais justificativas para este novo Batman) as coisas não caminham com tanta naturalidade. O autor por vezes fica no meio termo entre justificar e invalidar a própria proposta - isso é até particularmente divertido, mas tira um pouco a credibilidade desta lado da história. A forma como esta linha narrativa específica é conduzida não tem a naturalidade necessária para que alguém que leia se convença do porquê deste Batman existir. Tudo nesta sessão da revista soa meio travado e burocrático demais. Não há fluidez e a todo momento ouvimos a "voz" do roteirista justificando a sua decisão ousada em substituir o Batman, ao invés de lermos um backstory que supostamente deveria nos entreter. Se você tiver boa vontade, vai entender a situação, mas não existe aquela grande catarse que você espera de um cara que decide assumir o manto de um ícone como Batman. Com isso uma proposta interessante e ousada acaba aterrissando em um terreno irregular e temos uma boa história de ação até bem razoável, mas sem a sustentação necessária para fazer alguém de fato "comprar" a ideia.

A arte de Greg Capullo em Batman #41 é uma bem vinda mudança no tipo de ilustração que estamos acostumados a ver em títulos do Batman. Temos tons claros, expressões vívidas e mais brilhantes, um outro tipo de vilão, um cenário ainda urbano, mas apresentando formas diferentes. Então, tudo parece muito novo e empolgante nesta nova fase da revista. O design da nova Bat-Armadura é intencionalmente desengonçado, "mondrongo" e disforme e não há nada de errado nisso. A proposta da equipe criativa é mostrar o que aconteceria com o Batman se ele fosse uma ferramenta da corporação policial. Nada mais justo que vestir o personagem como se fosse um camburão. Esta armadura não é bonita, nem "legal" em quase nenhuma cena da revista e este é exatamente o objetivo dos autores durante toda a edição. O próprio alter-ego de Batman não fica nem um pouco empolgado com este utensílio. Ela não foi feita para ser bonita. Ela foi feita para funcionar e funciona. É fácil perceber esta sacada quando se chega ao final da edição. E talvez esta seja a parte mais divertida de Batman #41.

Batman #41 marca um ponto de ruptura no título do personagem que ecoará por toda a sua carreira daqui para frente. A ideia de Scott Snyder é extremamente válida e muito saudável para manter a longevidade e relevância deste ícone dos quadrinhos. No entanto, de nada adianta um conceito interessante e inovador se o conteúdo de fato não tem substância para justificar toda esta ousadia. O que temos aqui é uma boa HQ de super-herói com bastante ação e arte de ótimo nível. No entanto, analisando friamente a história, se a revista não tivesse o título Batman na capa, seria mais uma boa HQ de super-herói no mercado e somente os verdadeiros fãs desta equipe criativa pegariam a edição seguinte para ler.

terça-feira, 9 de junho de 2015

HQ do Dia | Liga da Justiça #41

Começa a Guerra de Darkseid.

Desde o primeiro confronto dos maiores super heróis da DC Comics (que marca a origem do grupo na fase Pós-Flashpoint) com Darkseid, as coisas ficaram mal resolvidas entre a Terra-0 e Apokolips. Durante os anos que seguiram o reboot da editora, alguns autores e publicações DC fizeram referência a um vindouro confronto final entre as forças de Darkseid e a Terra. A mais marcante destas referências foi a recente saga Fim dos Tempos, que explora as dramáticas repercussões da tal guerra no Universo DC cinco anos no futuro. No Free Comic Book Day deste ano a editora divulgou uma história na publicação one shot chamada Divergence introduzindo os conceitos por trás desta Guerra e mostrando a importância da Mulher Maravilha na saga. Na edição anterior de Justice League (número 40) o autor Geoff Johns explorou a relação entre Nova Gênese e Apokolips sob a ótica de Metron. Então, após essa preparação toda, a expectativa em relação à Guerra de Darkseid, para os fãs da Liga da Justiça, é enorme.

Em Liga #41, Johns utiliza dois pontos de vista bem distintos para começar a saga. O primeiro é o do Senhor Milagre, que faz uma estreia marcante (na HQ da Liga) e mostra o lado "Apokoliptico" do conflito. Como o personagem foi criado nos domínios de Darkseid, a participação dele é fundamental para termos a visão completa do conflito. O segundo ponto de vista utilizado no roteiro é o da princesa amazona, Diana Prince. Ela mostra o lado da Liga. A narração em caixas de texto utilizada como perspectiva da personagem é distinta e além de dar peso aos demais componentes do grupo serve de guia para as cenas investigativas na revista - algo que não é muito comum em termos de HQ de grupos de super-heróis. Liga #41 tem 44 páginas que alternam entre ação, ficção, drama e combates épicos. Johns consegue amarrar de forma bem simples e nítida algumas pequenas pontas deixadas em Vilania Eterna e no arco Vírus Amazo. O roteiro apresenta a maior ameaça que a Liga já enfrentou após Flashpoint com propriedade e sem enrolação. Desde seu início a HQ tem aquele clima de "real deal", e a presença do elenco clássico da equipe só reforça a severidade e magnitude da história.

Isso tudo é mostrado em 44 páginas de Jason Fabok. 44 páginas impecáveis de traço clássico de HQ de super-heróis. Para fãs deste estilo de ilustração, trata-se do melhor que você encontrará no mercado atualmente. Fabok tem o dom de dar grandiosidade e humanizar um elenco composto basicamente por deuses da editora. A caracterização e redesenho do Senhor Milagre é empolgante, celebra suas antigas encarnações e dá um ar mais moderno ao personagem, as cenas em Apokolips são aterradoras e os combates são tudo aquilo que se espera de lutas entre os maiores heróis da Terra e os servos de Darkseid.

Liga da Justiça #41 é o início de arco mais empolgante em uma HQ da equipe desde o início dos Novos 52. A convergência de tramas anteriores propostas por Geoff Johns aqui dá uma gravidade absurda a esta primeira parte do arco. Ok. Novamente a Liga se encontra em maus lençóis, como em todo o início de saga do grupo escrito por Johns, mas é exatamente isso que o leitor que acompanha a equipe espera de uma HQ com os maiores heróis da DC Comics. E isso tudo é atingido através de uma execução impecável. A arte de Jason Fabok é de altíssimo nível e se você é fã de traço clássico de super-heróis, fica impossível não se empolgar com 44 páginas desse tipo de desenho. Uma estreia matadora e empolgante para quem é fã de quadrinhos tradicionais e uma prova de que, após Convergence, a DC Comics não vai concentrar seus esforços exclusivamente em títulos mais casuais.
 


segunda-feira, 8 de junho de 2015

HQ | Lançamentos da semana 10-06-2015

Bat-Coelho, Carol Corps e aniversário da Valiant Comics nos lançamentos da semana.

É hora de conferir os principais lançamentos em quadrinhos lá fora desta semana. Aqui separamos alguns dos títulos mais aguardados pelo público e crítica.



Batman #41
Estreia do novo "Bat-Coelho" da DC Comics! É bem provável que você já saiba quem está dentro da armadura, né? De qualquer maneira, começa uma nova fase nos títulos do Cavaleiro das Trevas ainda sob a batuta do escritor Scott Snyder e com a arte de Greg Capullo.

 Estelar #1
Do time de escritores responsável pelo sucesso Arlequina, chega o título solo da princesa guerreira alienígena da DC Comics. Estelar se muda para a Flórida para tentar viver em paz, mas todos nó sabemos que isso não vai durar, né? Para saber mais sobre o novo título de Estelar leia a nossa entrevista com o autor da revista, Jimmy Palmiotti.

 Earth-2: Society #1
Estreia do novo título com os heróis da Terra-2. Os sobreviventes da Guerra contra Apokolips foram agraciados com uma novíssima Terra após Convergence. Agora é tempo de re-construir. 



Constantine The Hellblazer #1

Continua não sendo Vertigo, mas é a segunda tentativa da DC Comics de inserir o velho John de fato no universo dos Novos 52 (ou seja lá como a DC está chamando seus títulos "convencionais" esses dias). Os roteiristas Ming Doyle e James Tynion IV apresentam esta semana uma versão um pouco mais sombria de John Constantine.



Chrononauts #4

Final da mini-série sci-fi / bromance / time travel da Image Comics criada por Mark Millar e Sean Gordon Murphy. Após fazer uma puta bagunça no espaço-tempo, Quinn e Danny tem que consertar todas as cagadas que fizeram nas linhas temporais, derrotar seus inimigos e ainda enfrentar a ira de seu chefe.


Captain Marvel And Carol Corps #1 

Tie in de Guerras Secretas! Conheça o esquadrão de pilotos de Carol Danvers. A autora Kelly Sue DeConnick e o ilustrador David Marquez nos levam até o Campo Hala, onde só as melhores pilotos tem a chance de voar com o Esquadrão de Carol.
  

Ghost Racers #1 

Começa a corrida infernal pelo Mundo de Batalha. Motoqueiros, Pilotos e Cavaleiros Fantasmas de todo o Multiverso Marvel em um "racha" alucinado pelo novo Universo Marvel no qual vale tudo. 

 Weirdworld #1

Weirdworld é o título "capa, magia, espada" oficial de Guerras Secretas. Neste tie in escrito por Jason Aaron e ilustrado por Mike DelMundo, Arkon é um bárbaro vivendo todo o tipo de "aventuras bárbaras" no cantinho "bárbaro" do Mundo de Batalha.

  X-O Manowar 25th Anniversary Special #1

Parabéns, Valiant! Robert Venditti e CAFU (o artista, não o ex-jogador) celebram esta semana o aniversário de 25 da Valiant Comics contando as origens da armadura X-0 Manowar. Nesta edição comemorativa você vai descobrir de onde surgiu o artefato mais importante da história do Universo Valiant e muito da mitologia do ícone do universo de quadrinhos mais coeso da atualidade.


E aí? Algum lançamento desta semana te interessou ? Deixe seus comentários abaixo.