sábado, 28 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | They're not like us


Jovens, superpoderosos e com um conjunto de valores bem distorcido. Eles definitivamente não são como nós.

Fica cada vez mais difícil algum produto de entretenimento chegar despercebido e arrebatar a crítica e a audiência. O público é cada vez mais exigente e sedento por notícias e a internet transborda com informações sobre entretenimento e raramente alguma coisa consegue escapar do radar. Quando este tipo de coisa acontece ela merece destaque. E foi o caso com They're not like us HQ de Eric Stephenson, Simon Gane e Jordie Bellaire.

Histórias sobre adolescentes com poderes sobre humanos infestam os quadrinhos desde que os
X-Men e os Novos Titãs foram popularizados. Ao longo dos anos tivemos ótimas historias escritas girando ao redor deste conceito, mas nada ainda como este título.

Em They're not like us temos pessoas realmente mundanas, sem as amarras morais que limitam as histórias em quadrinhos do gênero. O tema principal da HQ é: Se você é melhor que eles você pode subjugá-los. Por mais polêmico, indigesto e até reacionário que possa parecer o conceito funciona, intriga e diverte. Mérito para o autor Eric Stephenson que, se valendo da fórmula "mais é menos", consegue tornar um elenco a princípio detestável em um grupo interessante de indivíduos com um conjunto de regras e motivações que vão se desenrolando e revelando ter certo sentido através das páginas. Os diálogos e apresentação de personagens seguem esse lance meio minimalista e o leitor é alimentado aos poucos a medida em que vão sendo reveladas as motivações individuais de cada personagem. E lá pela terceira edição você vai se pegar concordando com algumas coisas bem distorcidas e questionando seu conjunto de valores.

A arte de Simon Gane é horrorosa e linda na medida certa. Em cenas de violência e ação o ilustrador coloca fúria, raiva, asco e tudo que há de ruim na cena em cima do papel sem piedade. Enquanto nas passagens mais calmas consegue deixar a revista com um visual artístico e independente se valendo da ajuda do colorista Jordie Bellaire nessas transições de paleta. Não é definitivamente uma arte de HQ de super-herói, mas também não chega a ser um visual aterrorizante como nos gibis de terror. O traço de Gane é um misto de cru e detalhado. Mostra o que precisamos ver ali naquele quadro e dá cadência e alma a um roteiro que poderia ser retratado como "frio" por outro ilustrador.

They're not like us foi lançada pela Image Comics em Dezembro de 2014 e não é uma desconstrução de gênero. Tampouco é uma sátira. A revista tem um tom diferente e uma abordagem bem direta e por vezes escrota ao conceito de jovens com poderes especiais. O autor e os artistas podem se orgulhar de revelar uma nova matiz para este tipo de história e mesmo com um elenco desprezível a princípio conseguir conquistar qualquer um que pegue as 3 primeiras edições para ler. Um título que vale a pena acompanhar daqui pra frente.
 



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | Spider-Gwen #1

Vocês pediram e a Marvel atendeu. Estreia da HQ solo da mais nova Mulher-Aranha do Universo Marvel.

Gwendolyne Stacy (É. Esse é o nome dela) é mais um fenômeno de popularidade na Marvel em 2014. Idealizada por Dan Slott sua primeira aventura foi roteirizada em Edge of Spider-Verse #2 por Jason Latour e todo o design da personagem e do elenco da Terra-65 (onde se passam suas aventuras) foi definido pelo artista Robbi Rodriguez de maneira brilhante.

5 meses, 4 re-impressões (Isso mesmo. Edge of Spider-Verse #2 já está na sua quarta re-impressão pela Marvel) e um mega evento (Spider-verse) depois a editora é literalmente forçada pela demanda popular a criar um título solo para a personagem. E finalmente temos em mãos a primeira edição de Spider-Gwen.

Na edição de estreia somos relembrados dos eventos de Edge of Spider-Verse #2. A história se passa
após os acontecimentos da saga multiversal dos Aranhas e Gwen está de volta a Terra-65 do Multiverso Marvel tendo que organizar a bagunça que sua vida se tornou. Aqui vemos versões alternativas muito interessantes de personagens como o Capitão Stacy, Mary Jane Watson, Matt Murdock, J. Jonah Jameson, Benjamin Grim e até Frank Castle faz uma pequena e marcante aparição. A história coloca Gwen contra um dos inimigos tradicionais do Homem-Aranha e tem um clima de "universo alternativo" como é de se esperar. Então se você conhece um mínimo da mitologia do Homem-Aranha vai ficar boa parte do tempo fazendo comparações entre os eventos e personagens do universo 616 com estes aqui. Analisando a história em si a HQ não é ruim, mas também não tem nada de espetacular. A sina dos Homens e Mulheres-Aranha na Marvel é uma luta constante contra o crime enquanto tentam acertar suas conturbadas vidas pessoais e Spider-Gwen não foge muito disso. Gwen além de ter que enfrentar os criminosos de Nova York tem que se acertar com seu pai e gerenciar sua relação com sua banda "As Mary Janes". Os diálogos são legais e a revista não é cansativa de ler, mas não dá pra classificar como uma estreia que vá explodir a tua cabeça de tão original.

A arte de Robbi Rodriguez continua excepcional para este tipo de história. As páginas tem o dinamismo necessário sem parecer confusas. Os personagens tem um visual diferenciado e marcante. As expressões corporais da Mulher-Aranha são lindas e as cenas de ação (que são bem numerosas) são o destaque. Tomadas aéreas muito bonitas e a fotografia das lutas é bem impactante.

A estreia de Spider-Gwen em Edge of Spider-Verse #2 foi tão boa quanto sua primeira edição solo aqui apresentada. Temos um novo universo aracnídeo nascendo com um roteiro consistente, um elenco marcante, arte de alto nível e história movimentada. Resta saber se o público terá paciência e mostrará fidelidade a mais uma versão do Homem-Aranha no meio de tantas outras que infestam a Marvel atualmente.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mulher-Gato | Autora confirma bissexualidade da personagem nos quadrinhos

Recentemente nas histórias da Mulher-Gato em seu título solo e nas páginas de Batman Eternal Selina Kyle evoluiu de meramente uma ladra de alto-nível e interesse romântico do Cavaleiro das Trevas para a verdadeira chefe do crime organizado em Gotham.

Na edição 39 de Catwoman lançada esta semana nos Estados Unidos a roteirista Genevieve Valentine confirmou a bissexualidade da personagem em uma cena de beijo entre Selina e Eiko, a mais recente encarnação da Mulher-Gato.


Eiko e Selina em Catwoman #39

Em seguida ao lançamento da edição 39 a autora usou seu blog pessoal para explicar a opção sexual da personagem e suas motivações. Segundo Valentine a intenção era estabelecer a bissexualidade de Selina como cânone.

Segundo Valentine:

"Ela flertou com isso -- frequentemente e literalmente - por anos, para mim isso não foi uma revelação e sim uma confirmação".

Apesar da nova opção da personagem ser considerada uma surpresa para os leitores segundo Genevieve "Com certeza não é uma surpresa para Selina que ela tem uma atração por mulheres".

Segundo a autora a relação da Mulher-Gato original com Batman ão será desconsiderada tendo em vista que "não é assim que a bissexualidade (o que a humanidade) funciona".






quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | Silk #1

Conheça Cindy Moon. Muito mais do que a nova namoradinha do Homem-Aranha.

Diretamente de um dos retcons mais grosseiros da história da Marvel surge a já celebrada heroína aracnídea que atende pelo nome Cindy Moon, mas usa o codinome Silk. Desde que surgiu no novo volume de Amazing Spider-Man, Silk chamou bastante atenção e adquiriu grande popularidade pela sua estranha relação com Peter Parker, seus poderes similares aos do Aranha e sua personalidade impulsiva e forte. Nada mais natural para a Marvel então do que lançar uma HQ solo da heroína para testar o apelo da personagem em relação ao público.

Silk é escrita por Robbie Thompson e foca muito no cotidiano de uma jovem que passou seus últimos 10 anos em um bunker sem contato nenhum com o mundo exterior. Cindy tem uma penca de assuntos mal resolvidos entre eles sua família desaparecida, seus poderes meio descontrolados e sua relação carnal com o Homem-Aranha. O autor define um tom bem claro nesta primeira edição dando a Silk um apelo fortíssimo ao público feminino. As cenas de ação estão ali burocraticamente pois o que carrega a trama são as relações interpessoais  da protagonista com o resto do elenco. Silk em tom é muito similar a títulos como a nova Batgirl de Brendan Fletcher e Cameron Stewart e com Ms. Marvel de G. Willow Wilson. Se você curte este estilo de roteiro menos denso, mais despojado e cômico e mais focado nos dilemas pessoais dos protagonistas do que em ameaças gigantescas é um boa leitura.

A arte de Stacey Lee em Silk #1 acompanha o tom meio indie do roteiro. Nada de poses sensuais ou splash pages épicas. Temos páginas com quadros minimalistas, foco nas expressões faciais (que por vezes flertam com o mangá) e uma atenção especial ao figurino de todo o elenco. O traço da artista lembra às vezes Chris Samnee em Demolidor pela simplicidade dos quadros e capricho nas expressões corporais e faciais. Destaque para os flashbacks mostrando a família de Cindy. Bastante sensibilidade da desenhista nestas passagens.

Silk #1 é uma estreia que vai acertar em cheio o coração dos novos leitores de quadrinhos que não querem nada muito complicado pra ler. Não é uma HQ explosiva e cheia de conflitos de vida ou morte e com um vilão cascudo logo de cara. Tampouco temos uma trama complexa e cheia de nuances logo de cara. Aqui começa a história de uma jovem tentando achar seu espaço em um mundo estranho, descobrindo seus próprios poderes e limitações e tentando fazer o certo meio aos trancos e barrancos. A protagonista tem uma personalidade capaz de carregar a primeira edição inteira sem tornar a leitura cansativa e já mostrou diversas vezes que consegue ofuscar ícones da Marvel como Homem-Aranha e Mulher-Aranha juntos. Então é só uma questão de tempo até Cindy Moon tornar-se mais um ícone entre os novos leitores de quadrinhos da Marvel. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | The Multiversity: Guidebook #1

Satisfação. Esta palavra define precisamente a leitura do sexto capítulo da viagem de Grant Morrison pelo Multiverso DC Comics. Guidebook, ao contrário do que possa se imaginar pelo título simples e direto não é somente um guia com os 52 universo mapeados do Multiverso DC. A revista com suas mais de 70 páginas é muito mais do que isso.

Primeiramente temos uma história envolvendo a Terra-51 na qual acompanhamos Kamandi, o peculiar BioOMAC e os Novos Deuses desvendando os mistérios de toda a criação do Universo DC desde suas origens através de alegorias metalinguísticas disfarçadas de histórias em quadrinhos (novamente é o caso da HQ dentro da HQ). A segunda história que corre paralelamente a primeira envolve o Batman da Terra-17 conhecido como o Cavaleiro Atômico e o pequeno Batman da série Lil' Gotham da Terra-42 enfrentando juntos um exército de robôs controlado pela maligna Liga dos Silvanas enquanto descobrem todas as Terras do Multiverso DC através novamente de uma revista em quadrinhos. No meio destas duas aventuras, Morrison presenteia os leitores com a sua visão própria da criação e das transformações da DC Comics através do tempo. Iniciando lá em Flash of two Worlds, passando pelas Crises e caminhando até a era atual dos Novos 52. Tudo escrito, apresentado e desenvolvido como se fosse uma história em quadrinhos e quase como um conto de fadas na verdade. Para leitores tradicionais da DC é um desbunde em forma de HQ. Além disso temos TODAS as Terras do Novo Multiverso mapeadas com pequenas sinopses e ilustradas pelos maiores talentos da indústria de quadrinhos atualmente. Só pra citar alguns deste talentos: Rafael Albuquerque, Gene Ha, Gary Frank, Cameron Stewart, David Finch, Darwyn Cooke, Bryan Hitch, Kelley Jones, Declan Shalvey, Emanuela Lupacchino entre muitos outros. No final ainda temos uma ótima conclusão interligando os eventos desta edição com o conceito apresentado na primeira edição de Multiversity e uma HQ que teoricamente demoraria uma hora em média pra ler passa na tua frente em 20 a 30 minutos e deixa com vontade de ler histórias sobre todo o Multiverso.

A arte em Guidebook é bem diversificada. As sequências na Terra-51 são brilhantemente desenhadas em estilo tradicional por Paulo Siqueira. Usando uma visão aérea o ilustrador pouco a pouco revela que a Terra-51 é observada das alturas pelos Novos Deuses. Enquanto isso a sequência mais energética da revista é desenhada por Marcus To que tem a árdua tarefa de misturar os protagonistas "fofinhos" de Lil' Gotham com os personagens amargurados da pós apocalíptica Terra-17. To faz um trabalho excelente misturando uma Legião de Silvanas nessa sequência que seria extremamente complicada para qualquer outro ilustrador.

Guidebook é desconjuntada, é confusa, é enorme, é diversificada, mas acima de tudo é magnífica e EXTREMAMENTE divertida. A revista é um presente para qualquer fã da DC Comics. Além de incluir duas histórias loucas totalmente interligadas e muito bem ilustradas ainda nos dá um panorama geral da rica história editorial do Multiverso e um guia com todas as Terras da DC Comics. Não tem como ficar melhor do que isso.

HQ do Dia | Lanterna Verde / Novos Deuses - Godhead - A saga completa

Os Lanternas e os Novos Deuses na maior saga cósmica da DC Comics em 2014

Passando meio que despercebido do grande público no ano passado o encontro entre As Tropas de Lanternas do Universo DC pós-Novos 52 com as novas encarnações dos Novos Deuses foi sim um grande evento não só nos títulos da linha do Lanterna Verde, mas em toda a editora.

A saga que apresentou pela primeira vez ao público atual da DC Comics as versões "Novos 52" do icônico panteão de Nova Gênese envolveu por 3 meses os títulos Green Lantern, Green Lantern Corps, Green Lantern: New Guardians, Red Lanterns, Sinestro além da One-Shot New Gods: Godhead #1 e tie-ins com 3 edições de Infinity Man and the Forever People

Na história o Grande Pai dos Novos Deuses busca a Equação da vida com o intuito de repelir um iminente novo ataque de Darkseid e finalmente por um fim a sua guerra eterna contra Apokolips. Acreditando que a equação se encontra além da Muralha Fonte (apresentada como o limite dos Universos DC em edições prévias de Lanterna Verde) o Grande Pai por intermédio do panteão dos Novos Deuses se apropria (forçadamente) de anéis de todas as matizes do espectro emocional para atingir este objetivo. Isso coloca todas as Tropas de Lanternas em conflito com os Novos Deuses.

A saga é arquitetada pelo escritor atual de Lanterna Verde, Robert Venditti e tem colaborações dos roteiristas dos outros respectivos títulos da linha como Van Jensen, Justin Jordan, Charles Soule e Cullen Bunn. O roteiro é uma ópera cósmica como realmente não havia se visto nos títulos dos Lanternas pós-Novos 52. Isso logicamente vem com seus prós e contras. O principal mérito de Godhead é envolver todas as Tropas em uma divertida aventura cósmica com um escopo imenso, colocá-los frente a frente com adversários que eles não tem condições de encarar e tornar os títulos dos Lanternas vitrine para a aguardada Guerra de Darkseid - saga que vem para mudar todo o Universo DC em 2015. Godhead não é uma saga focada em Hal Jordan. Todos os Lanternas (e alguns vilões) tem participação importantíssima no conflito e muitas pontas soltas deixadas em relação a Kyle Rayner, Saint Walker e Thaal Sinestro são amarradas pelos autores durante a saga. Para leitores e fãs que já vem acompanhando as aventuras das Tropas desde o início dos Novos 52 Godhead é uma leitura extremamente gratificante, divertida e bem amarrada. Por outro lado Godhead talvez possa ser considerada uma das sagas mais difíceis para novos leitores desde o início do Novos 52. A quantidade de personagens, o volume de informações prévias cruciais para sua compreensão total e o número de títulos envolvidos na saga pode ser sufocante para um leitor que cair de para-quedas no meio do arco. A equipe de roteiristas assume 100% que o cara que está lendo está totalmente envolvido no contexto atual dos títulos e tem algum conhecimento sobre os Novos Deuses e você que é novo leitor que se vire pra entender o que está acontecendo. Pra quem tem disposição pra encarar esse desafio é uma leitura bacana, mas talvez nem todos os novos leitores tenham essa paciência.

Sobre a arte temos intervenções regulares a boas em quase todos os títulos. O destaque vai para a arte de Brad Walker, Diogenes Neves e Rodney Buchemi em Green Lantern: New Guardians. Billy Tan faz um trabalho consistente com um grande elenco de personagens em Green Lantern, mas definitivamente as melhores artes da saga estão na One Shot inicial Green Lantern / New Gods: Godhead e na edição anual de número 3 de Green Lantern que finaliza o arco com uma batalha gigantesca em Nova Gênese envolvendo praticamente todos os Novos Deuses além de todo o elenco dos títulos atuais dos Lanternas. Um festival cósmico visual pra fã nenhum botar defeito.

Godhead definitivamente não teve a atenção e o crédito que mereceu em 2014. Para os fãs tradicionais que reclamam da ausência de grandes histórias de outrora esta é uma leitura muito satisfatória e atende a todos os critérios de uma saga épica em quadrinhos. Temos uma premissa extremamente válida, um conflito com proporções enormes para o UDC, um elenco com personalidades diferentes e conflitantes e arte que segura o tranco na maioria das edições. Para os novatos fãs infelizmente Godhead exige um pouco de conhecimento prévio (pelo menos da linha dos Lanternas nos Novos 52). A leitura é trabalhosa devido a quantidade de informação prévia, mas vale a pena pra quem tem este conhecimento prévio ou tem paciência de correr atrás do background deste elenco. Godhead deixa um gostinho de "quero mais" principalmente por ser um puta teaser da Guerra de Darkseid  que se aproxima e é até o momento o melhor momento do autor Robert Venditti a frente do título principal do Lanterna Verde. 




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Divergence | O futuro da DC Comics de maneira descomplicada

No início do mês a DC Comics fez um anúncio oficial sobre seus planos editoriais para 2015 que envolvem cancelamentos de títulos, rodízio de equipes criativas, novas revistas, novos personagens e um direcionamento diferente para alguns de seus grandes ícones.

Imediatamente e sem muito critério ou avaliação surgiu uma avalanche de notícias provenientes de fontes duvidosas usando o temido termo "Reboot". Isso causou pânico, raiva e muitas dúvidas nos leitores, fãs ocasionais e na comunidade nerd em geral.

Após ler cuidadosamente os pronunciamentos oficiais da editora e estudar com calma a nova linha de títulos DC Comics resolvemos fazer este artigo para tentar sanar as dúvidas mais frequentes com os FATOS que até agora foram apresentados pela editora oficialmente. O conteúdo abaixo não contém especulações portanto muitas perguntas ainda ficarão sem respostas até que finalmente chegue o meio do ano e esta nova linha editorial seja lançada.

  

O que diabos é DIVERGENCE?

Até o presente momento a única informação oficial que cita o termo DIVERGENCE é o título da revista DC Comics: Divergence que será distribuída no Free Comic Book Day (FCBD) em Maio de 2015.
Capa de DC Comics: Divergence que será lançada no FCBD 2015.
A capa de "DC Comics: Divergence"

Segundo anúncio oficial da editora a revista será um preview das próximas edições das revistas Batman de Scott Snyder e Greg Capullo - mostrando o novo status-quo no universo do Cavaleiro das Trevas pós-Endgame; Justice League de Geoff Johns e Jason Fabok - mostrando uma prévia da aguardada saga Guerra de Darkseid e por fim uma prévia de Superman com o novo roteirista Gene Luen Yang e o artista regular John Romita Jr.

Portanto podemos concluir que Divergence é somente o termo usado para um preview dos próximos lançamentos da editora no segundo semestre de 2015, o que é bem comum em se tratando da indústria de quadrinhos.


Mas Divergence não é o fim dos "Novos 52"?

Para entendermos o que seria o polêmico "Fim" dos "Novos 52" primeiramente precisamos entender o que significa o termo "Novos 52".

Novos 52 é o termo utilizado pela DC Comics para classificar a sua fase editorial pós-Flashpoint. Muito mais do que uma referência a um mero número de publicações esta nomenclatura define o UDC que vale atualmente. Portanto se você está lendo as aventuras do Superman sem as cuecas e com armadura, do Flash como Barry Allen e um Wally West Afro-Americano, do Ciborgue na Liga da Justiça e a Mulher Maravilha como Deusa da Guerra você está lendo a cronologia atual da DC Comics. Durante os quase 4 anos de "Novos 52" a quantidade de títulos publicados pela editora variou e nem todo mês tivemos exatamente 52 revistas sendo publicadas.

 A nova "Justice League of America" de Bryan Hitch

Portanto podemos concluir que o temido "Fim" dos "Novos 52" só pode ser determinado de fato se a editora anunciar que haverá uma redefinição de toda a sua cronologia e de seus personagens a partir do zero como já ocorreu no passado. Não houve nenhum anúncio desta natureza até o presente momento. Portanto o termo "Reboot" fica fora de cogitação por enquanto.

Mas e os cancelamentos e novas revistas que serão lançadas este ano?

Vamos por partes. Muito antes de se falar em Divergence a DC Comics já planejava finalizar vários de seus títulos, seja por seus respectivos arcos estarem chegando ao fim ou por decisões editoriais baseadas em vendas, estratégia de marketing etc.

Estes cancelamentos foram anunciados através dos anúncios de solicitações de varejistas de quadrinhos para Março de 2015 e não estão relacionados com "Reboot" ou algo deste tipo. É válido lembrar que Março é o mês que precede a super saga multiversal da DC deste ano denominada Convergence, mas não vamos nos adiantar.

 A Guerra de Darkseid se aproxima

Conforme reportado anteriormente aqui no Proibido Ler, segue a lista dos cancelamentos de títulos DC Comics:

- Primeiramente temos as três revistas semanais da editora Batman Eternal, New 52: Futures End e Earth-2: World's End que finalizam seus arcos em Março de 2015 e serão descontinuadas.

- Em seguida temos a lista de cancelamentos composta por:

  • AQUAMAN AND THE OTHERS

  • KLARION

  • SECRET ORIGINS

  • STAR-SPANGLED WAR STORIES FEATURING G.I. ZOMBIE

  • TRINITY OF SIN

  • WORLDS’ FINEST

  • ARKHAM MANOR

  • BATWOMAN

  • GREEN LANTERN CORPS

  • GREEN LANTERN: NEW GUARDIANS

  • RED LANTERNS

  • SWAMP THING

  • INFINITY MAN AND THE FOREVER PEOPLE


 Outra revista que chega a seu fim é:

  • INJUSTICE: GODS AMONG US YEAR THREE


Nos meses de Abril e Maio a DC Comics entra no evento Convergence e além da saga principal temos 40 títulos com histórias em duas partes mostrando várias Terras diferentes no Multiverso da editora.

A partir de Junho de 2015 a configuração da linha editorial da DC Comics muda bastante. Primeiramente temos a estreia de 24 novos títulos com o número 1 na capa:

Robin, Son of Batman Escrita e ilustrada por Pat Gleason
Black Canary Escrita por Brenden Fletcher e desenhada por Annie Wu
Martian Manhunter Escrita por Rob Williams com os desenhistas Ben Oliver e Paulo Siqueira
Earth 2: Society pelo escritor Daniel H. Wilson e o artista Jorge Jimenez
Midnighter Escrita por Steve Orlando e desenhada por ACO
Bat-Mite pelo autor Dan Jurgens com desenhos de Corin Howell 
Batman Beyond também por Dan Jurgens com Bernard Chang nos desenhos
Cyborg pelo escritor David L. Walker e os artistas Ivan Reis e Joe Prado
Dark Universe por James Tynion IV desenhada por Ming Doyle
Doomed escrita por Scott Lobdell e desenhada por Javier Fernandez
Harley Quinn/Power Girl pela equipe de roteiristas Jimmy Palmiotti, Amanda Conner e Justin Gray com desenhos de Stephane Roux
Red Hood/Arsenal por Scott Lobdell e Denis Medri
Starfire escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner e desenhada pela artista Emanuela Lupacchino
We Are Robin escrita por Lee Bermejo e desenhada por Rob Haynes e Khary Randolph
Justice League of America escrita e desenhada pelo astro Brian Hitch
Bizzaro escrita por Heath Corson desenhada por Gustavo Duarte
Prez escrita por Mark Russell com arte de Ben Caldwell
Omega Men escrita por Tom King e desenhada por Barnaby Bagenda
Mystic U (título provisório) por Alisa Kwitney e Mauricet
Section Eight pela aclamada dupla Garth Ennis e John McCrea
Dr. Fate escrita por Paul Levitz e desenhada por Sonny Liew
Green Lantern: Lost Army por Cullen Bunn, desenhada por Jesus Saiz e Javi Pina.
Justice League 3001 escrita por Keith Giffen e J.M. DeMatteis e desenhada por Howard Porter
Constantine: The Hellblazer por Ming Doyle e Riley Rossmo

 Capa de "We are Robin"

Analisando cuidadosamente estes novos títulos podemos notar que muitos deles são derivados de títulos pré-existentes. Como fica claro em Justice League 3001 (que inclusive tem a mesma equipe criativa de Justice League 3000), Earth-2: Society (derivada de Earth-2), Constantine: The Hellblazer (Que só ganhou um subtítulo) além de Green Lantern: Lost Army (que vem substituir a enorme quantidade de títulos atuais das Tropas dos Lanternas). 

A prova cabal que desmente todos os boatos de "Reboot" na DC Comics é a manutenção de 25 títulos recorrentes com a numeração atual e com suas equipes criativas praticamente intactas.

Os títulos que continuam sendo publicados no UDC são os seguintes:

Action Comics por Greg Pak e Aaron Kuder
Aquaman por Cullen Bunn e Trevor McCarthy
Batgirl por Cameron Stewart, Brenden Fletcher e Babs Tarr
Batman pela dupla Scott Snyder e Greg Capullo
Detective Comics por Brian Buccelato e Francis Manapul
Batman/Superman por Greg Pak e Ardian Syaf
Catwoman por Genevieve Valentine e David Messina
Deathstroke escrita e desenhada por Tony Daniel
Flash por Rob Venditti, Van Jensen e Brett Booth
Gotham Academy por Becky Cloonan, Brenden Fletcher e Karl Kerschl
Gotham By Midnight por Ray Fawkes e Juan Ferreyra
Grayson por Tim King, Tim Seeley e Mikel Janin
Green Arrow por Ben Percy e Richard Zircher
Green Lantern por Robert Venditti e Billy Tan
Harley Quinn por Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Chad Hardin
Justice League por Geoff Johns e Jason Fabok
Justice League United, roteirista a ser anunciado, Travel Foreman e Paul Pelletier.
Lobo por Cullen Bunn e Cliff Richards
Secret Six por Gail Simone e Dale Eaglesham
Sinestro por Cullen Bunn e Brad Walker
New Suicide Squad por Sean Ryan e Carlos D’Anda
Superman por Gene Luen Yang e John Romita Jr.
Superman/Wonder Woman por Peter Tomasi e Doug Mahnke
Teen Titans por Will Pfeifer e Kenneth Rocafort
Wonder Woman por Meredith Finch e David Finch

 O novo título "Starfire" protagonizado por Estelar

Mulher Maravilha, Flash, Batman, Lanterna Verde, Liga da Justiça, Esquadrão Suicida, Exterminador entre outros continuam com exatamente a mesma equipe criativa de antes. Segundo a editora TODOS os títulos acima continuam com a numeração corrente e com as mesmas premissas anteriores. Portanto fica impossível usar o termo "Reboot" nessas condições.

Sobre os novos títulos com o número 1 na capa o pronunciamento oficial do Co-Publisher e responsável pelas publicações da editora, Dan Didio é de que "Nesta nova era narrativa, a história precederá a continuidade enquanto continuaremos a dar poder aos criadores para contar as melhores histórias da indústria".

"Estamos enxergando uma audiência mais diversificada . Estamos vendo um público mais jovem. Estamos vendo pessoas realmente empolgadas com quadrinhos. Então o que estamos tentando fazer é abraçar toda a nossa audiência e criar um produto que acreditamos se comunicar com todo mundo". - Didio completa.

 Imagem promocional da nova HQ da Canário Negro

 O outro Co-Publisher da editora Jim Lee também se pronunciou em relação aos novos rumos da editora: "Mais do que antes, o fãs da DC Comics estão sendo expostos ao nosso rico portfólio de personagens através de múltiplas fontes, incluindo uma quantidade sem precedentes de programas de TV, videogames e filmes vindouros. Estamos tentando estender esta experiência nas publicações para garantir que haja uma revista em quadrinhos para todo mundo. Por exemplo fãs do seriado ARROW podem querer mais histórias sobre CANÁRIO NEGRO. Agora eles podem encontrar encarnações modernas dos personagens nas páginas de suas revistas solo nas lojas de quadrinhos ou digitalmente".

Importante destacar que estes pronunciamentos se referem aos novos títulos DC Comics que chegam às bancas em Junho não se aplicando aos títulos recorrentes da editora.


O que Divergence tem a ver com Convergence?

Nada.

Divergence conforme foi explicado no início do artigo é somente o título da prévia dos novos títulos DC Comics que será divulgada em Maio no FCBD 2015.  

Convergence é a super saga que reúne todo o Multiverso DC Comics este ano e será publicada nos meses de Abril e Maio. Durante Convergence todos os títulos atuais da editora terão uma pausa e serão contadas histórias em duas partes relacionadas ao evento. 

Após Convergence, em Junho de 2015 a chamada reformulação da linha editorial da empresa se inicia e a DC Comics deixa de operar na Costa Leste dos Estados Unidos e se muda para a Califórnia.

Afinal o que vai acontecer com o Universo DC este ano?

Esta é realmente a questão central a ser respondida. Pelas evidências apresentadas acima podemos concluir que o rumo editorial da DC Comics em Junho não aponta para o tenebroso "Reboot". 
O que o futuro reserva para a editora são duas linhas distintas de publicações: 

Uma delas mantendo um núcleo de personagens cronologia e histórias que já vem sendo apresentadas desde o início dos Novos 52 sem alterações aparentes e mantendo a continuidade praticaemente intacta, apesar de ter sofrido vários cancelamentos. A outra linha de publicações é muito mais agressiva comercialmente e totalmente direcionada para o público menos hardcore de quadrinhos. Esta nova linha editorial não tem uma preocupação tão forte com cronologia e é destinada a capturar a audiência dos filmes, games e seriados da empresa.

 O design do novo título de Bizarro

Portanto este é o perfil da editora para o ano de 2015. Duas DC Comics: Uma para os fãs mais hardcore e outra para os novos leitores que são um mercado importante a ser capturado.

Logicamente ainda restam muitas dúvidas sobre esta nova linha de publicações. A própria editora anunciou que outros títulos ainda serão anunciados no decorrer deste ano. O que podemos afirmar com certeza é que a DC Comics novamente toma uma decisão radical com o intuito de abocanhar um pouco mais do disputado mercado de quadrinhos e tanto novos quanto antigos leitores terão que se adaptar a esta nova realidade.