sábado, 21 de fevereiro de 2015

Guerras Secretas | Convenção de Motoqueiros Fantasmas na Arena do Mundo de Batalha

Liguem os motores! 

Robbie Reyes pode não causar o estardalhaço de uma Ms. Marvel ou de uma Spider-Gwen, mas definitivamente é um dos personagens mais interessantes da Nova Marvel. Pra quem não conhece o jovem latino dos guetos de Los Angeles é a mais recente encarnação do Espírito da Vingança e, apesar de seu título não ser um sucesso absoluto de vendas a crítica especializada recebeu muito bem a nova versão do Cabeça-de-Fósforo escrita pelo roteirista Felipe Smith.

Com o advento da super saga da Marvel, Guerras Secretas e a explosão do Multiverso da editora em vários campos de batalha o título atual All-New Ghost Rider subitamente se torna Ghost Racers. No preview abaixo divulgado pela editora podemos ver Robbie em seu carro (É! Pra quem não sabe moto é coisa de Johnny Blaze) em uma verdadeira Fantasma-Con reunindo velhos conhecidos, favoritos dos fãs e novas caras em páginas cheias de ação e velocidade.








"Esta é a revista que todos os fãs do Motoqueiro Fantasma vão curtir." afirma o editor senior Mark Paniccia. "Não iremos perder o coração e a alma do conceito - o drama de manter seus demônios contidos - especialmente com Robbie Reyes, mas por Deus! Estamos caprichando no design de veículos, velocidade e todo o fogo do inferno da coisa. É visualmente uma dinamite."

A premissa de Ghost Racers põe Corredores Fantasmas de várias realidades e épocas distintas em uma corrida mortal onde o prêmio é a liberdade do local no Mundo de Batalha chamado "A arena". Segundo Paniccia estão confirmadas as presenças de Danny Ketch, Johnny e Alejandra Blaze além de muitas outras surpresas.

Ghost Racers chega às bancas americanas em Maio juntamente com a aguardada Guerras Secretas.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | Homem-Aranha - Spider-Verse - A Saga completa

Aranhas de todo o Multiverso Marvel em uma batalha pela salvação de sua espécie.

Spider-Verse foi o "super evento" nos títulos do Homem-Aranha que começou no final do ano de 2014 e terminou em Fevereiro de 2015. Na trama o escritor Dan Slott criou uma ameaça à existência de todos os Homens e Mulheres-Aranha na figura da maligna família de caçadores multiversais chamada de "Herdeiros". Os tais Herdeiros se alimentam da força vital dos Aranhas do Multiverso Marvel e tem como objetivo dizimar a espécie aracnídea do todos os universos conhecidos. Com isso um grupo de Homems, Mulheres e outras espécies de Aranhas se juntam sob a liderança de Peter Parker do universo 616 e do Homem-Aranha Superior, Otto Octavius para combater esta nova ameaça. Resumidamente esta é a premissa proposta pelo autor.



Lendo a sinopse acima e tendo em vista a atual reputação do roteirista responsável pela saga, o leitor provavelmente não vai se importar muito com este evento. O fato é que apesar da enorme quantidade de personagens envolvidos, a infinidade de tie-ins, prelúdios, histórias paralelas e revistas lançadas somente em virtude desta saga (Edge of Spider-Verse, Spider-Verse, Spider-Verse Team-Up, Spider-Woman e Scarlet Spiders) no fundo Spider-Verse é uma celebração do autor às várias encarnações e fases do personagem. Sabiamente, colocando um elenco tão numeroso e variado frente a frente em situações surreais o roteirista acaba valorizando o papel do Aranha principal do universo 616, Peter Parker. O herói, que passou por um período de desgaste na década passada e atualmente vem se renovando aos poucos é exaltado em todos os momentos. Além disso, para os fãs é extremamente divertido ver essa quantidade e variedade de Homens-Aranha saltando pelo Multiverso e combatendo uma família de sanguessugas interdimensionais. Slott não se leva a sério em nenhum momento da saga no título principal do Cabeça-de-Teia e sinceramente a revista carecia de um tom mais ameno desde o final da era "Superior". Os diálogos e a interação entre os Aranhas são o destaque e o aspecto mais divertido da saga, remontando aos clássicos Team-Ups da Marvel nas décadas de 1970 / 80 nos quais o tom lúdico imperava, apesar das situações serem de extremo risco para os personagens. Nem todos os Aranhas tem seu momento sob os holofotes (mesmo porque eles são muitos), mas podemos sim ver momentos divertidíssimos protagonizados pelas versões alternativas do personagem em praticamente todas as edições.

A arte no título "carro chefe" da saga que é a revista Amazing Spider-Man, fica a cargo do consagrado Olivier Coipel com auxílio do desenhista regular do Aranha, Giuseppe Camuncoli. E é um prazer ver Coipel desenhando este elenco. Mesmo em situações extremamente confusas, nas quais um bando de caras vestidos de Homem-Aranha saltam através de portais dimensionais, montados em cavalos, buggys ou voando os desenhistas conseguem tirar da cartola soluções gráficas práticas para ilustrar o louco roteiro de Dan Slott. Durante toda a saga a arte é bastante regular e não atrapalha nem um pouco a leitura e nos tie-ins temos um festival de artistas novos e consagradas mostrando as mais diversas versões do Aracnídeo em ação. Em termos gráficos Spider-Verse tinha tudo para ser um desastre devido a quantidade de personagens e as mudanças abruptas de cenários, no entanto a equipe de artistas consegue atender às expectativas e temos uma saga no geral muito bem ilustrada.

Spider-Verse é uma saga bastante divertida por não se levar a sério, ter personagens cativantes interagindo o tempo todo e por ter um roteiro louco, mas fácil de entender. Para os fãs do Aranha clássico e suas histórias mais urbanas e "pé no chão" talvez não seja uma leitura tão bacana, mas para quem cresceu lendo os Team Ups com tom mais "moleque" da Marvel nas décadas de 1970 / 80 Spider-Verse tem tudo para agradar. A saga é praticamente um desenho de sábado de manhã da Marvel: Descomplicada, louca e confortável demais. No entanto, se você procura uma história épico-trágica do Homem-Aranha com "filosofagens", dramas existenciais sobre "poder e responsabilidade" e chororô por todos os quadros, fuja! Isso aqui está milhas de distância desse tipo de história mais "cabeça". E não tem nada de errado nisso.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Esquadrão Suicida | Equipe é totalmente reformulada nos quadrinhos e vai encarar o "Estado Islâmico"

O segundo volume de Suicide Squad foi lançado em Julho do ano passado pela DC Comics sob o comando do escritor Sean Ryan com uma equipe formada por Arlequina, Exterminador, Filha do Coringa, Arraia Negra e Pistoleiro. Sete meses depois do relançamento o título ainda se esforça muito para arrendar algum público e melhorar suas vendas.

Na semana passada a DC Comics revelou que o elenco do novo Esquadrão Suicida nos quadrinhos sofrerá grandes alterações no futuro próximo. Na imagem abaixo podemos ver uma mudança completa do cast da revista.


O elenco composto por Parasita, Mão Negra, Hera Venenosa, Flash Reverso, Cheetah e Talon faz sua estreia oficial na edição número 9, logo após Convergence, evento que toma de assalto toda a linha de publicações DC Comics em Abril e Maio deste ano. 
O título continua sob o comando do autor Sean Ryan e segundo a sinopse o roteirista promete colocar o grupo de vilões contra a organização jihadista Estado Islâmico.

HQ do Dia | Superman #38

Superman vs Ulisses - A batalha final! E ainda: O polêmico novo poder do Homem de Aço.

Superman #38 encerra o primeiro arco da nova equipe criativa no título principal do Homem de Aço chamado Homens do amanhã. Com uma promessa de salvação gratuita, Ulisses leva milhares de humanos para a aparentemente paradisíaca quarta dimensão, mas Lois Lane e Superman sabem que "nesse angú tem caroço" e isso coloca o Azulão em rota de colisão contra um oponente que não é maligno por natureza, mas que pode facilmente obliterá-lo. O confronto com Ulisses é épico como deve ser e as motivações dos personagens são claras e incontestáveis nesse arco. Mérito do autor Geoff Johns que conseguiu construir uma história relativamente simples, mas muito interessante envolvendo um novo antagonista e uma ideia meio batida sobre o papel do Superman na sociedade.

Sobre o novo e polêmico poder do Azulão pode-se dizer que o herói é sim forçado a uma condição extrema e acaba desenvolvendo inesperadamente a tal "explosão solar" na qual todas as células de seu corpo emanam a energia solar armazenada ao mesmo tempo, em uma devastadora onda de choque capaz de um estrago imenso. É como se todo o corpo do Superman disparasse a sua famosa "rajada óptica" ao mesmo tempo em intensidade máxima. Isso tem graves consequências para o Homem de aço e cria uma dinâmica nova e muito interessante que será explorada nas edições posteriores. Para os leitores mais conservadores o novo poder pode ser sim considerado ofensivo, no entanto a explicação dada pelo Batman (sempre ele) é válida se encararmos o Superman como um alienígena que basicamente é uma bateria solar e se alimenta dessa energia o tempo todo.

A arte de John Romita Jr. com Klaus Janson nessa nova fase do Homem de Aço é impactante e característica. Isso não quer dizer que todo mundo vá gostar das ilustrações. Se você conhece o trabalho da dupla já sabe o que esperar. Traços quadrados e grosseiros, cenas de batalha com splash pages gigantes, rostos meio parecidos entre si. A batalha entre Ulisses e o Superman se dá no meio de uma chuva torrencial, então se você já acha o traço de Romita rabiscado vai ver o triplo de linhas verticais por quadro nesta edição. Para os fãs da dupla de artistas esta é mais uma edição impactante na qual Superman é retratado visualmente com o "Pica das galáxias" que realmente é na DC Comics. No entanto, é uma arte que logicamente pode não agradar a todos os gostos.

Superman #38 conclui um arco com uma premissa extremamente simples, mas muito bem desenvolvida e cheia de nuances que questionam e reafirmam o papel do Homem de Aço no planeta Terra. Geoff Johns consegue entreter sem complicar e nem inventar a roda ao mesmo tempo em que pega um personagem com mais de 75 anos de existência e o torna um cara interessante. O final é um pouco surpreendente e muda bastante a dinâmica da revista daqui para frente. A arte é o melhor que se pode esperar da equipe de ilustradores, mas devido ao estilo de desenhos pode não agradar todos os fãs do personagem. No geral, desde que a nova equipe assumiu o título principal do Homem de aço temos uma sutil reformulação no personagem e histórias que agradam bastante os fãs do personagem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | Darth Vader #1

A Marvel nos leva para o lado negro da força na estreia da HQ de Darth Vader.

Anakin Skywalker talvez seja o vilão de ficção mais icônico da história da cultura pop. A figura de Darth Vader representa o vilão trágico quintessencial e é conhecido em qualquer canto do Planeta Terra. Naturalmente com a aquisição dos direitos da franquia Star Wars pela Disney / Marvel a empresa se aproveitaria da popularidade do personagem em algum título de quadrinhos. Aqui temos a estreia da série mensal protagonizada por pelo Lord Sith, Vader.

Assim como na HQ Star Wars (De Jason Aaron e John Cassaday) a equipe criativa de Darth Vader, composta por Kieron Gillen e Salvador Larroca nos transporta diretamente para o frutífero período situado entre o Episódio IV - Uma nova esperança e o antológico Episódio V - O império contra-ataca.  O diferencial é que em Vader vemos os eventos que precedem o Episódio V sob a ótica do maligno Império Galáctico. Aqui acompanhamos um Anakin Skywalker recém derrotado pela Aliança Rebelde tendo que se justificar ao indigesto Imperador Darth Sidious e orquestrando seus planos contra seus inimigos. O argumento de Gillen é sóbrio e sem suas habituais "invenções" e quebras de formatos. Diálogos simples e uma história de fácil compreensão, mas que não empolga tanto quanto o outro título da franquia. Temos uma primeira edição que faz uma breve introdução do personagem ao público e apresenta uma galeria de personagens icônicos. Darth Vader se relaciona diretamente com os eventos da HQ Star Wars de Jason Aaron, e acompanhamos aqui o desenvolvimento de um pequeno universo de histórias nascendo, mas nada além disso.

Se por um lado a história não tem nada demais, a arte de Larroca no título é simplesmente sensacional EM TODAS AS PÁGINAS. Desde os diálogos de Vader com o Imperador passando pelos flashbacks que relembram eventos do Episódio IV até as cenas em Tatooine. Tudo é muito bem feito e bem pensado visualmente. As caracterizações de conhecidos protagonistas e até dos obscuros e icônicos coadjuvantes são perfeitas. Larroca consegue superar o brilhante trabalho de Cassaday nesta edição de estreia e Vader poucas vezes foi tão bem caracterizado em uma história em quadrinhos.

Darth Vader #1 não é uma estreia espetacular e empolgante. O roteirista claramente trabalha sob "cabresto" editorial e nos apresenta uma primeira edição sem nenhuma surpresa, mas também sem deslizes. O destaque vai para o trabalho gráfico que é sim embasbacante de tão bem feito. Vader é um espetáculo visual com um traço classudo e imponente. Uma boa leitura para os fãs da franquia, mas longe de ser um título indispensável.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

HQ do Dia | Spawn #250

Edição comemorativa! O retorno de Al Simmons - O Spawn original.

Conforme anunciado pelo próprio criador de Spawn, Todd McFarlane a única certeza sobre esta edição 250 de Spawn é que Al Simmons está de volta. Nesta edição comemorativa com tamanho triplo (70 páginas) temos o clímax do arco atual e o início de uma nova fase na publicação do soldado do inferno.
O principal problema é que o argumento de Todd McFarlane para esta edição não é nem um pouco convidativo para novos leitores e nem para antigos fãs. Portanto se você nunca leu Spawn ou mesmo se leu as primeiras edições e em algum momento largou a publicação Spawn #250 não terá piedade da tua ignorância. Apesar da história não ser ruim, o fato desta edição ser a conclusão uma história em andamento já contribui para alienar parte de uma audiência mal acostumada com tantos títulos com #1 na capa. A história segue os moldes dos quadrinhos antigos da década de 1980 nos quais o leitor pegava o "bonde andando" mesmo e tentava entender o contexto sem página de recapitulação ou alguma apresentação dos personagens (existe sim uma recapitulação, mas ela fica estranhamente no final da edição). O que vemos nesta edição são os eventos de Spawn 243 a 249 culminando em um showdown entre os principais protagonistas e um final com ares de recomeço. Na história o atual Spawn, Jim Downing se vê no meio de uma Nova Iorque infestada por pragas das mais diversas enquanto luta contra seu simbiótico e demoníaco uniforme por sua vida. Se você não conhece Jim Downing ficará confuso com algumas coisas a seu respeito sim, mas essas pequenas dúvidas não impactam tanto a leitura. McFarlane escreve praticamente da mesma forma como você se lembra na década de 1990 - voice boxes narrativos em terceira pessoa descrevendo as motivações dos personagens como em um romance e a todo o momento temos o protagonista sofrendo e o tom dramático e urgente impera durante toda esta edição. A dupla de detetives Sam e Twitch continua praticamente a mesma também, sempre um passo atrás dos acontecimentos da revista servindo somente para contextualizar a leitura e dar uma visão mais humana dos acontecimentos na trama. 
A arte nesta edição é um excelente trabalho de Szymon Kudranski. O traço do artista regular de Spawn é foto-realista na medida certa, deixando a revista com um tom menos caricato do que outrora, mas sem puxar muito para o realismo. Um equilíbrio bem delicado em uma publicação com protagonistas sobrenaturais com é o caso de Spawn. Felizmente a HQ tem um visual incrível e cativante, principalmente para quem não estava acompanhando o trabalho do ilustrador neste título.
A realidade sobre Spawn #250 é que a revista é muito mais uma conclusão de arco do que um recomeço para o título. Temos sim o esperado retorno de Simmons no final da edição, mas em grande parte o autor gasta páginas tentando deixar mais grave a situação em Nova Iorque e finalizando a passagem de Jim Downing na publicação. Algumas pontas soltas permanecem e isso é até um ponto positivo para o futuro da revista, mas o fato é que não dá pra ler Spawn #250 como uma edição número 1 pois ela não é. A arte por sua vez é caprichadíssima e totalmente de acordo com o tom do roteiro de McFarlane. Por muitas vezes vemos o Spawn sob a ótica de outros personagens, o que dá um novo ar ao personagem, o tornando mais estranho e misterioso do que suas encarnações prévias. As cenas de batalha são magníficas e o final, apesar de meio abrupto é sim empolgante pra quem curte Al Simmons. O saldo é o seguinte: Spawn #250 não é ruim, mas também não é fácil de ler. Temos muita coisa confusa para novos leitores assim como leitores que pararam de acompanhar o título na década passada. Apesar disso a história é boa e suas 70 páginas passam voando. Mesmo não sendo uma edição brilhante (mesmo porque McFarlane nunca foi um exímio roteirista) a proposta deixada pelo autor na publicação é garantia de histórias no mínimo interessantes no futuro próximo.

HQ do Dia | O Despertar

Ficção, Horror e Suspense na nova HQ da Vertigo.

Apesar de ter uma carreira relativamente extensa como roteirista de quadrinhos, o Americano Scott Snyder ficou mundialmente conhecido por seu trabalho principalmente após sua colaboração com o Brasileiro Rafael Albuquerque na série Vampiro Americano além da aclamada fase atual no título principal do Batman com o veterano desenhista Greg Capullo. Ao longo dos anos Snyder vem mostrando consistência e versatilidade nas histórias nas quais trabalha, transitando sem dificuldade entre gêneros que vão desde super-heróis até contos de horror, ficção, mistério e crime.

O Despertar é uma série autoral de Snyder em dez partes lançada em 2013 pelo selo Vertigo da DC Comics que chega agora em Fevereiro ao Brasil em dois volumes pela Panini. O primeiro volume contém as cinco primeiras edições e o segundo as edições restantes. O Despertar literalmente se divide em duas partes distintas - Sendo a primeira (que vai da edição 1 a 5 e é publicada no primeiro volume nacional) um thriller de confinamento bastante tenso e intrigante protagonizado pela bióloga marinha Lee Archer que é recrutada pelo departamento de segurança nacional dos Estados Unidos para investigar uma nova ameaça submarina. A primeira parte é pontuada por pequenas cenas que parecem não ter relação alguma com a trama principal, mas dão a impressão de uma história muito maior do que a que está sendo contada na narrativa principal. A medida em que a história avança os acontecimentos se tornam cada vez mais bizarros e menos realistas (no bom sentido) e quando chegamos ao clímax da primeira parte da história (na quinta edição) temos a guinada de gênero que é realmente o charme da série. A partir da sexta edição, O Despertar deixa de ser uma simples história de ficção e suspense em um ambiente inóspito e se torna uma obra de ficção pós-apocalíptica que remonta aos primórdios da história do nosso planeta. Uma mudança ocorre também em todo o elenco de protagonistas e no ritmo da trama. O mérito do roteiro de Snyder é conseguir relacionar gêneros distintos (o suspense / horror da primeira parte com a ficção pós apocalíptica da segunda parte) se valendo de uma ruptura abrupta e chocante, mas ao mesmo tempo confortável e muito intrigante. As duas partes da história se diferenciam bastante em termos de tom e gênero mas acabam se relacionando entre si por causa da trama macro desenvolvida sutilmente nas primeiras edições com cenas curtas e aparentemente sem sentido. O ritmo do roteiro tem uma cadência muito tranquila e apesar do grande volume de informações a leitura é de fácil compreensão e tem um ritmo que não cansa. Bons diálogos, personagens que mesmo com curtas aparições deixam sua marca e um vínculo emocional muito bacana entre as duas protagonistas da HQ.

A arte nas dez edições de O Despertar é responsabilidade de Sean Gordon Murphy que trabalhou com Snyder em edições de Vampiro Americano. Pra quem não conhece Murphy tem um traço bem rabiscado e meio "sujão" bem adequado ao conteúdo mais adulto dos títulos Vertigo. Em O Despertar vemos uma faceta inteiramente nova do desenhista, na qual pode-se observar um cuidado com caracterização de ambientes, equipamentos de cena, veículos e um desenvolvimento de criaturas cuidadoso. Isso tudo sem perder a pegada visceral e grosseira que já é característica do traço do artista. Temos cenas brutas e chocantes em várias passagens, mas estas se misturam a quadros de ficção épicos e grandiosos como poucas vezes o artista teve oportunidade de desenhar.

O Despertar é mais uma prova de que trabalhos autorais são realmente o melhor que se pode extrair dessa nova safra de jovens artistas em quadrinhos. Assim como em Vampiro Americano e na recente (e excelente) Wytches vemos Snyder nos mostrando um ótimo conceito. Uma HQ com um desenvolvimento sagaz em uma história envolvente que transita entre gêneros com a mesma tranquilidade em que se vai a padaria comprar um pão. A arte de Sean Murphy é totalmente entrosada com o roteiro e temos uma série fechada extremamente divertida. Logicamente algumas pessoas reclamarão do final, mas a conclusão apesar de meio esdrúxula é justificável pois em momento algum a HQ se prende muito a um realismo. No marasmo atual da Vertigo O Despertar é uma injeção de energia e uma leitura que vale a pena para fãs de horror, suspense e ficção em quadrinhos.