segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Thanos: The Infinity Revelation

Infinity Revelation é a mais nova OGN (Original Graphic Novel) cósmica da Marvel. O aclamado roteirista e artista Jim Starlin já havia retornado ao universo que ajudou a construir em "Thanos Annual 1" há alguns meses trás, mas aqui o autor realmente tem o espaço e oportunidade de escrever uma saga épica protagonizada pelo Titã louco.
Segundo recentes entrevistas de Starlin, Infinity Revelation foi escrita e desenhada sem conhecimento prévio da recente aparição de Thanos na saga Infinity. Após ter seu trabalho finalizado o artista acabou incluindo alguns personagens do evento idealizado por Jonathan Hickman em algumas páginas como figurantes. Infinity Revelation, portanto pode ser lida como um retorno de Thanos ao Universo Marvel pré-Infinity pois aborda algumas temas do passado do personagem, mas não cita nenhum evento que aconteceu de fato em Infinity.
Nesta grande viagem escrita por Starlin "algo" muito grande e muito tranformador está acontecendo com o Universo Marvel. Essa transformação envolve pessoalmente Thanos e Adam Warlock (A própria Marvel divulgou o retorno do personagem no preview desta HQ, então isto não é spoiler. Antes que alguém venha mimimizar). Apesar da escala do "evento" supostamente ser imensa, nenhum membro do elenco (e aqui estamos falando de entidades cósmicas de enorme magnitude na Marvel) consegue explicar muito bem o que está acontecendo. Neste caso fica por conta de Thanos descobrir do que se trata essa transformação.
Starlin nos presenteia com várias passagens clássicas da mitologia de Thanos . Muitos personagens do plantel cósmico da editora fazem suas devidas aparições e eventualmente caem na porrada com Thanos nas 99 páginas do graphic novel. Então, para quem estava com saudade do argumento verborrágico de Starlin e suas noções megalomaníacas do universo cósmico é um prato recheado.
Infelizmente existem leitores (me incluo) que querem um pouco mais do que devaneios interdimensionais quando pagam dezenove dólares por uma HQ e Infinity Revelation tem muito pouco conteúdo objetivo a oferecer. Analisando friamente a história dá uma volta gigante e não te leva de um ponto A para um ponto B. A HQ te deixa no mesmo ponto aonde começou, com muitas perguntas sem resposta e uma sensação de frustração pela expectativa criada nas primeiras 30 páginas. Parece que Starlin estava construindo algo que realmente tinha o objetivo de criar algum impacto no Universo Marvel, mas o impacto aqui é pequeno (aparentemente)  e se restringe a Thanos e Warlock principalmente. O próprio autor admite o fato de toda a história ser "muito barulho por nada" em uma passagem mais contemplativa de Thanos no final da HQ. Então acho que não estou falando besteira aqui.
A arte por outro lado é extremamente bem feita.Thanos de Starlin é um clássico e todas as caracterizações do elenco aqui estão representadas perfeitamente nos desenhos do cara. O traço de Starlin é limpo e tem a identidade visual perfeita pra esse tipo de história. O enquadramento não tem nenhuma loucura ou inovação, mas em compensação as cenas mais viajantes da HQ tem bastante dose de LSD, com alguns personagens mudando de forma e encarnação de quadro para quadro em diálogos e uns splash pages bem alucinados mais para o meio da revista.
Infinity Revelation é um excelente exercício em futilidade. E até diverte. Infelizmente por mais que eu adore Thanos, Warlock, as entidades cósmicas da Marvel e todo esse elenco apresentado aqui. Por mais que eu goste de um quebra-pau intergaláctico. E por mais que sagas megalomaníacas com diálogos filosóficos excessivos e beirando o limite da minha compreesnão do que o autor quer dizer me agradem, a história apresentada neste graphic novel leva nada a praticamente lugar nenhum e isso não é suficiente para que eu possa avaliar bem este material. A arte deste título é excelente, isso é fato. Infelizmente Thanos para mim sempre foi um agente de grandes mudanças e histórias mais objetivas na Marvel e não há conteúdo suficiente aqui para dar o que realmente espero de um título como esse.

sábado, 9 de agosto de 2014

Vilania Eterna 1 a 7



“Vilania Eterna” (eu odeio esta tradução) foi o evento que dominou a DC Comics desde o final do verão de 2013 até o início de 2014 e agora está bombando nas bancas e comics shops Brasileiras. 

Muita gente vem perguntar a minha opinião sobre a saga pois fica receoso de mergulhar de cabeça em uma HQ em sete partes sobre um bando de vilões como protagonistas.

Felizmente eu já tinha lido e resenhado as 7 edições de Forever Evil durante seu lançamento lá fora.
Este é um pequeno resumo sobre cada uma das edições da Saga pra ajudar você a se decidir se compra ou não. Divirta-se.

Vilania Eterna 1

Geoff John começa bem devagar com a história. Muitas cenas de gente escapando da prisão zzzzzzzzzz.. Muito grande e bem chatinha essa primeira edição com muitas cenas que são desnecessárias e o que realmente acontece na HQ se resume a umas 7 páginas. O resto é uma grande enrolação. Nada foi explicado desde o final "cliffhanger" de Trinity War (“A Guerra da Trindade”, evento que precedeu “Vilania Eterna”) e você leitor vai ficar como eu fiquei: com cara de babaca. Nem a arte é lá essas coisas. Pra não dizer que tudo foi ruim: A capa é maneira.

Vilania Eterna 2

A HQ deu um grande salto de qualidade em relação a sonolenta edição 1. Bastante ação e a trama começa a caminhar nessa edição. O Sindicato do Crime é retratado como uma equipe extremamente poderosa e, ao mesmo tempo, totalmente disfuncional. Muito legal isso. Muitas intrigas e traições ainda vão rolar. O tom da HQ é bem malvado pra uma série de super-herói, mas sem vulgarizar. Nessa edição Luthor é o destaque. Fiquei torcendo pelo careca o tempo todo. Algumas coisas são reveladas (FINALMENTE) sobre o que aconteceu com a Liga da Justiça ao final de Trinity War e isso me deixou contente. A arte do David Finch é impecável. Com quadros organizados e "full-pages" na medida certa. Me animei com Forevis Evil a partir deste ponto.

Vilania Eterna 3

A primeira edição realmente empolgante. Primeiro porque explicou o que aconteceu com a Liga no final de Trinity War, segundo porque o Luthor está muito bem escrito e tem um papel crucial na Saga, terceiro porque os heróis da Terra ficam em uma posição extremamente desfavorável e quarto porque os diálogos e intrigas entre o Sindicato do Crime são muito legais de acompanhar. 
Essa saga começou devagar (a primeira edição me colocou pra dormir quando li), mas foi me conquistando e a partir deste ponto ficou muito boa de acompanhar. 
A arte do David Finch não é nada sensacional aqui, mas não compromete e o Geoff Johns vai mostrando que ainda tem alguma lenha pra queimar na DC.



Vilania Eterna 4

Mais uma ótima edição. O ritmo como as coisas estão sendo conduzidas entre Justice League e esta HQ cria expectativa, mas ao mesmo tempo não deixa o leitor com aquela sensação de estar sendo enrolado. Novamente Luthor é a estrela dessa edição. A interação dele com o clone do Super cria um dos momentos mais legais de toda a saga. Johns acerta em cheio em alternar entre as narrativas nessa edição e a arte do David Finch evoluiu muito desde o primeiro número.

Vilania Eterna 5

Esta edição já é um clássico dos Novos 52 pra mim. 90% da HQ é ação pura. E não estou falando de ação gratuita. É ação muito bem escrita e desenhada. Luthor, Adão Negro, Capitão Frio, Black Manta e Sinestro enfiando a porrada. E os caras são violentos pra caralho. Batman no meio da confusão querendo entender a situação e achando que tem alguma voz ativa nessa nova "Liga" é um conceito original e hilário. Essa nova dinâmica Luthor x Batman vai render muita coisa boa ainda. Um novo mistério sobre o que diabos aconteceu com o mundo do Sindicato do crime começa a ser revelado. Ótima edição. Tão boa que achei que era até mais curta que as outras e fui conferir o número de páginas.
  
Vilania Eterna 6

Puta edição!
A força de resistência composta por Batman, Mulher-Gato, Luthor, Sinestro, Capitão Frio, Manta, Adão Negro e Bizarro invade a base do Sindicato do Crime. Porradaria entre Adão e Ultraman, Capitão Frio e Manta mostram o que realmente é ser malvado (a cena do Frio com Johnny Quick é histórica.Mesmo podendo fazer spoiler não quero estragar o momento pra voces). Enquanto isso Batman e Luthor encontram finalmente Dick Grayson preso a uma bomba que só pode ser desativada matando o Asa Noturna. Luthor entra em conflito direto com Batman. O que voces querem MAIS?
Ah, tem mais. Capitão Frio e Manta libertam o prisioneiro secreto do Sindicato do Crime. Nada mais nada menos do que um tal de Alexander Luthor com o poder de MAZAHS!
FO
DELL!
A arte do David Finch é de alto nível e mantém o foco na ação. Quadros médios e cenas de luta muito bem desenhadas.
Chegando a esta última edição eu consigo visualizar exatamente o que o Johns pensou: Ele escreveu um Sindicato do Crime tão puramente malvado e diabólico que isso força o leitor a torcer e vibrar quando os vilões do UDC partem pra guerra. Nunca me importei com o Capitão Frio ou com o Manta, mas nesta edição vibrei ao ver os dois retribuindo a maldade do Sindicato em dobro. Próxima edição: Múltiplos climax!

Vilania Eterna 7

Vilania Eterna chega a seu final com uma porrada de assuntos pendentes pra resolver:
Asa Noturna quase morto, a Liga da Justiça presa dentro de Nuclear (que está prestes a explodir e destruir metade dos EUA) e o principal: Quem diabos vai conseguir deter Ultraman, Deathstorm, Superwoman e MAZAHS?
A quantidade de coisas pra resolver em 42 páginas acaba deixando a HQ toda no limite da velocidade narrativa e algumas coisas são um pouco atropeladas, principalmente em relação a Owlman e o Asa Noturna. No geral, o ritmo acelerado é benéfico para o clímax e o excesso de subtramas é razoavelmente administrado por Geoff Johns não confundindo muito o leitor e deixando poucas coisas mal resolvidas.
O artifício usado pelo escritor pra resolver a trama já era previsível: O Sindicato do Crime é uma equipe formada integralmente por filhos da puta e, em sua “filhadaputagem” acabam se auto-sabotando. A Liga retorna do exílio deixando uma grande dúvida no ar a respeito de Batman e Diana e isso é bem interessante.
O principal ponto positivo da edição final de Forever Evil é a atuação de Lex Luthor durante toda a HQ. O personagem que já vinha tendo destaque nas outras edições ganha em personalidade, tridimensionalidade e carisma neste final. É muito bom mesmo ver alguém diferente do Batman resolvendo os pepinos na DC. E Lex Luthor é cara certo pra isso. Apesar da luta entre Lex e Alexander Luthor ser bem desigual e até um pouco difícil de engolir (Luthor é um ser humano normal com uma armadura e MAZAHS é quase um deus) ela é empolgante e muito bem feita.
David Finch faz aqui seu melhor trabalho nas sete edições do evento. Apesar da história ser bem corrida a arte é caprichada demais, os quadros são grandiosos do jeito que tem que ser e as lutas são um espetáculo visual. Destaque principalmente nas cenas com Bizarro (que virou meu personagem favorito da saga).
Forever Evil 7 é um clímax bem corrido e cheio de batatas quentes voando pra todo o lado. Geoff Johns consegue em 42 páginas dar resoluções e fechar 90% dos subplots propostos. No geral, o prometido desde o início dessa saga era que os vilões dominariam o Universo DC e foi realmente isso que ocorreu aqui. No final das contas foi um elenco composto por 80% de gente ruim que salvou a Terra do Sindicato do Crime.
Ah, eu não sei como será a reação de vocês, mas quando foi revelada a ameaça que destruiu o Universo do Sindicato do crime no final desta HQ vibrei com o que vem por aí. Leiam e me digam o que acham.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

All-New Ghost Rider #3

A HQ mais acelerada da Marvel chega a sua terceira edição e finalmente temos algumas respostas sobre a origem deste novo "Motoqueiro" (ele não tem moto, mas ainda estou chamando de "Motoqueiro", tá?). O jovem Robbie Reyes logo nas primeiras páginas confronta o Espírito da Vingança e o Cabeça de fósforo propõe uma aliança. Enquanto isso a guerra de gangues entre o Mr. Hyde e o criminoso Grumpy pelo controle de uma nova droga sintética continua vitimizando inocentes nos subúrbios de Los Angeles.
O roteirista Felipe Smith novamente entrega uma edição com bastante ação urbana e sem muita frescura. A premissa continua bem simples: Robbie precisa vingar alguém e o Espírito da Vingança lhe dá os poderes para fazê-lo, mas o jovem tem suas obrigações familiares e escolares e sua vida vira de pernas para o ar por causa desses conflitos. O fato do protagonista ser pobre, órfão, latino, morar num dos subúrbios mais violentos dos Estados Unidos e ter um irmão deficiente mental nos aproxima ainda mais do personagem e humaniza bastante a trama, sem tornar nada muito dramático. Achei bastante interessante o diálogo inicial entre o Espírito da Vingança e Robbie Reyes. Separando duas personalidades distintas o autor dá uma dinâmica diferente para o conceito do Motoqueiro Fantasma e consegue dar as explicações sobre a natureza dos poderes do anti-herói de maneira mais natural.
A arte de Tradd Moore é eletrizante (esse termo é meio cafona, mas eu não tinha como descrever de outra forma, desculpem). Tirando as cenas em que Robbie está na escola e com seu irmão (são poucas), tudo aqui é explosivo, rápido, agressivo e lindamente colorizado. O design de página e as cenas em alta velocidade nos carros continuam sendo o destaque. Moore tem uma veia oriental bastante aflorada, mas o trabalho de arte fica no meio termo entre os desenhos híbridos com mangá e o traço moderno ocidental. O design de Zabo e Hyde é monstruoso e o algumas pessoas podem torcer o nariz para o novo visual do protagonista, mas temos que aplaudir o artista pela tentativa de dar uma nova cara para o Motoqueiro.
All-New Ghost Rider 3 não é a melhor coisa dos quadrinhos hoje em dia, muito menos da Marvel. O mérito aqui é a tentiva do autor de dar uma nova cara, personalidade e background para um personagem já muito desgastado sem apelar para os velhos Johnny Blazes e Danny Ketchs da vida. A mitologia do Motoqueiro Fantasma permite que o personagem tenha várias encarnações e Felipe Smith foi muito feliz na escolha de Robbie Reyes como seu alter-ego. A arte de Tradd Moore é ideal pra este tipo de HQ e a trama, apesar de não ter nada de sensacional é fácil e divertida de acompanhar. Boa leitura.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

The Sandman: Overture (2013-) #3

Outubro de 2013, Março de 2014 e final de Julho de 2014. Este é o intervalo entre 3 as edições de Sandman: Overture de Neil Gaiman e J.H. Williams III. E esse parece ser o Calcanhar de Aquiles da série da Vertigo. Não me leve a mal. Este número 3 é umas das coisas mais incríveis e prazerosas que já li em termos de Sandman, mas infelizmente o longo intervalo entre as edições acabam por minimizar a grande obra que a DC Comics vem tentando publicar desde o final do ano passado.
Em Overture 3 os dois Sonhos, aquele que todos nós conhecemos e o "Gato", viajam até os confins de lugar nenhum em busca da Estrela Insana que provavelmente deve acabar com toda existência. A expectativa é chegar até a chamada "Cidade das Estrelas", que é descrita como o local onde as gigantes massas de gás explosivas vão para conversar, lutar e ter relações sexuais. Em seu caminho Sonho encontra velhas conhecidas e uma nova companheira.
Gaiman coloca o pé no acelerador nesta edição. Enquanto nos dois primeiros números tivemos (re)apresentações, introdução do plot geral e contextualização, aqui temos os protagonistas realmente correndo atrás de alguns objetivos. A HQ acrescenta matizes vívidas e multicoloridas ao universo de Sandman com novos grupos de personagens (que só poderiam ter saído da mente brilhante do autor) e ao mesmo tempo celebra velhos conhecidos como as 3 senhoras e Delírio e Desejo. Muito legal rever este elenco, mesmo que seja em pequenas passagens que parecem ser menos relevantes para o contexto geral da trama.
Eu acabo me repetindo quando escrevo sobre esse cara, mas a arte de J.H. Williams III vai além do que podemos chamar de História em Quadrinhos atualmente. O sujeito abusa de técnicas distintas de expressão visual e enquadramento e cada sessão desta HQ, mesmo sem as falas pode ser apreciada tranquilamente em uma galeria de arte contemporânea. Eu não sei nem qual página destacar. O plano geral da "Ponte" (como é chamado o lugar onde se passa 80% desta edição) com um gigante pelado se segurando por baixo da paisagem gigantesca é absurdo. No entanto a primeira aparição das 3 senhoras tem um dos layouts de página mais brilhantes que já vi. Mas aí você chega ao flashback sobre uma amante de Sonho e as passagens monocromáticas arrebentam a sua cabeça de tão lindas. Tudo é delirante, tóxico e entorpecente neste número 3.
Sandman: Overture 3 é a melhor edição da saga até o momento. Neil Gaiman f@#%* a minha cabeça de uma forma tão completa e gratificante que tive uma imensa dificuldade pra escrever sobre isso aqui. A HQ deve ser lida preferencialmente junto com as outras duas primeiras edições. Aliás, eu aconselho você esperar toda a saga se concluir e ler tudo de uma vez. Não digo isto por ser uma HQ de difícil compreensão, pois não é (muito). O fato é que desta forma a experiência é muito mais gratificante e menos confusa para os novos leitores. Ver o plano geral de Gaiman, que é mostrar uma grandiosa aventura no mundo de Sonho e Cia. e ao mesmo tempo celebrar toda a rica e bonita história deste que é um marco na nossa mídia é uma dádiva que deve ser saboreada de uma vez só e não nesse ritmo cadenciado e terrível que a DC Comics vem impondo.

Chew: Warrior Chicken Poyo #1

Quem acompanha Chew de John Layman e Rob Guillory provavelmente já está familiarizado com o Galo mais casca-grossa dos quadrinhos. Por imensa demanda popular Poyo finalmente ganha seu título solo no qual você pode ler uma HQ com 100% de insanidade, humor e violência galinácea sem as interrupções ocasionais que ocorrem em Chew.
Warrior Chicken Poyo, como é de se esperar não se leva a sério em momento algum. Desde a sua capa emulando Frazetta passando pela introdução recheada de chacota e chegando até a última página, onde os autores não dizem ao certo se haverá uma continuação ou não para a história - Tudo aqui é levado na base da sacanagem. A premissa é ridiculamente genial: Na fantástica terra de Yoeck, 24 guerreiros (Poyo sendo o mais fodão entre eles) de várias dimensões diferentes são convocados por um mago com o intuito de derrotar o Groceryomancer (que em uma tradução forçada seria algo como "Quitandeiro Arcano"...Urgh! Eu sou péssimo em traduções. Desculpem.) e seu exército de legumes, verduras e vegetais assassinos. É isso mesmo, leitor. Os caras escreveram um roteiro sobre uma galinha piscótica matando tomates, aspargus e batatas assassinas. E o pior é que essa loucura funciona. Poyo é adorável em sua grosseria silenciosa e as cenas de batalha que permeiam toda esta HQ são divertidíssimas. A HQ brinca e faz reverências bem sacadas a vários ícones do gênero "capa e espada" e as páginas voam na tua frente.
A arte de Rob Guillory é cartunesca e brutal como deve ser. Entranhas, ossos, decepações, sangue. A HQ é uma carnificina visual epilética que raramente pára para cenas mais calmas. Guillory inventa maneiras muito criativas de matar o elenco inteiro e brinca com o conceito do exército vegetal o tempo todo. Os quadros sempre tem alguma piadinha escondida e Poyo nunca esteve tão Bad-Ass em uma HQ.
Warrior Chicken Poyo é magnífica em sua proposta simples. Se você não se ligou pela capa isso não é uma leitura "cabeça". Muito pelo contrário. A HQ é uma fonte de boas risadas regadas a sangue e entranhas e abraça sem nenhum pudor a violência e o ridículo. Recomendado para pessoas com senso de humor descalibrado e loucos de plantão.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Outcast #1

Outcast é o novo título do criador de The Walking Dead e Invincible, Robert Kirkman lançado pela Image / Skybound como série mensal recentemente. Como definido pelo próprio autor trata-se de uma HQ de horror com uma pegada um pouco mais realista do que TWD e situada em West Virginia, onde Kirkman residiu por alguns anos. Nesta primeira edição somos apresentados a Kyle Barnes, um homem amargo, solitário e literalmente no fundo do poço que durante sua vida inteira foi atormentado por incidentes relacionados a possessões demoníacas e... OPA! É... Eu sei... Você vai me questionar o que tem de "realista" em ser possuído pelo Tinhoso e etc. Bom, segundo o roteirista, em comparação com um apocalipse zumbi e uma família de super-heróis Outcast é até bem realista.
O roteiro de Kirkman segue o modelo storyboard silencioso como em muitas passagens de TWD. Muitos quadros tensos e diálogos casuais que aos poucos vão nos dando pistas sobre o elenco e apresentando todo mundo de forma muito natural. Ao mesmo tempo em que as devidas introduções são feitas o roteirista consegue já nesta edição tirar o protagonista da inércia e dar a todo o elenco motivação e conflitos. Apesar da temática totalmente CHUPADA de filmes sobre exorcismo em cidades do interior percebi o roteiro muito mais focado nas relações conturbadas entre os personagens do que nos Capirotos por assim dizer (marca registrada de Kirkman). Antes de me pergutarem já digo: O roteiro é violento pra cacete e já temos algumas cenas polêmicas envolvendo violência infantil logo nas primeiras páginas.
A arte de Paul Azaceta é tudo que você queria na tua Hellblazer e às vezes não tinha. O sujeito tem um traço medonho, enquadramentos muito inteligentes, uso de perspectiva na medida certa e expressões faciais incríveis. A arte é parecida com a de David Aja em Hawkeye da Marvel, só que ao invés de flechas, cachorrinhos e pizza aqui você vai ver sangue, vômito e padres. Uma colorização que só poderia ser fosca pra acentuar a morbidez da trama e um acabamento visual caprichadíssimo nesta primeira edição.
Outcast 1 estréia com os dois pés na porta da igreja e é "tudo isso aí" que a crítica especializada vem dizendo. O roteiro de Kirkman é um tributo a tudo que já foi escrito sobre possessões demoníacas no passado, mas sabiamente não foca sua atenção no sobrenatural e sim no impacto desses acontecimentos sinistros na vida dos personagens. A arte é absurdamente macabra e a primeira edição termina com aquele clima de "Agora a p@#$% ficou séria!" que todo nós adoramos. O canhoto arrumou mais uma revista mensal pra sangrar tua carteira, literalmente.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Batman Eternal (2014-) #12

Começa o julgamento de James Gordon, mas antes ele tem uma visitinha do Cavaleiro das Trevas no camburão. Enquanto isso o Tenente Bard tem um plano para desmascarar o novo comissário Forbes e ainda por cima prender Carmine Falcone, mas vai precisar da ajuda de Vicky Vale e do Batman. A danadinha Harper Row consegue hackear o sistema de informações de Tim Drake. Capuz Vermelho e Batgirl ainda estão procurando pistas nos Brasil e após o primeiro dia no tribunal o ex-comissário recebe uma visita inesperada na cadeia.
Deixando para trás o marasmo da edição anterior o time de roteiristas de Batman Eternal nos entrega uma edição elétrica e quase que totalmente focada em Gotham e na situação do departamento de polícia da cidade. Batman aqui é coadjuvante e temos cenas excelentes no julgamento, além de diálogos bem legais nas cenas com o Tenente Bard, Harvey Bullock e a Capitã Sawyer. Harper Row começa a ganhar espaço no título finalmente e temos ainda passagens de Tim, Julia e Alfred Pennyworth na mansão Wayne que são bem interessantes. A variação entre as cenas e os diálogos certeiros e curtos entre os protagonistas fazem desta edição uma leitura muito empolgante pra quem está envolvido no universo de Gotham. Gordon é o ponto focal desta HQ, mas todos os personagens tem seu tempo nos holofotes.
A arte de Mikel Janin é uma das melhores já apresentadas nesta série. O traço do cara é limpo, realista e as caracterizações são tudo o que você quer ver em uma HQ do Batman. As acrobacias nesta edição são menos complicadas do que em seu trabalho na primeira edição de Grayson e as cenas em Blackgate são onde o artista realmente consegue brilhar, com expressões faciais bem diversificadas em simples cenas de diálogo.
Batman Eternal 12 é uma puta injeção de combustível na linha narrativa que parece ser a mais proeminente das muitas que se entrelaçam neste título. Afinal a HQ começou com a prisão de James Gordon e já estava mais do que na hora da história focar no destino do ex-comissário e nas repercussões para o departamento de polícia da cidade. Os diálogos são bem objetivos e o plano do Tenente Bard, apesar de não ser totalmente revelado já parece bem interessante. A arte é um deleite para fãs de HQ e todo o conteúdo aqui vale mais do que o preço de capa. Ótima leitura.