domingo, 3 de agosto de 2014

Captain Marvel (2014-) #3

Capitã Marvel e os Guardiões da Galáxia nesta edição! Carol Danvers tem que lidar com os refugiados da guerra contra os Construtores. O conglemerado de raças alienígenas em questão aqui foi vítima daquela destruição toda causada em Infinity e realocado para o inóspito Planeta Torfa pela Aliança Galáctica chefiada por Spartax. No entanto o planeta está matando todos os seus novos habitantes por envenenamento lentamente.
O início desta edição é particularmente divertido devido a interação entre Carol e os Guardiões. Os diálogos de Kelly Sue DeConnick são precisos na apresentação da voz de cada membro do elenco e a protagonista é cada vez mais um ponto focal de liderança na Marvel. Carol é uma chefe aqui e apesar de não ter tanta experiência quanto os Guardiões em assuntos cósmicos e povos alienígenas ela é respeitada pelo seu senso de comando e capacidade de combate. Ao chegar em Torfa a Capitã se depara com um dilema muito mais complexo do que esperava e isso acentua mais ainda seu senso de humanidade. A situação dos refugiados não é "preto-no-branco" como é de se esperar e isso gera uma gama de possibilidades muito legais para as edições seguintes.
A arte de David Lopez é ótima. A ausência dos quadros megalomaníacos cheios de splash-pages tão comuns em uma aventura espacial é uma sacada muito boa do artista, que prefere focar em movimentação, design não-convencional do elenco de apoio e expresões corporais e faciais para contar sua história. O roteiro é representado de forma clara e o dinamismo entre as cenas mantém a leitura leve e prazerosa o tempo todo.
Captain Marvel 3 é mais um largo passo na evolução da autora Kelly Sue DeConnick no comando da personagem. Já escrevi várias vezes que o volume passado da série não me impressionou nem um pouco, mas o jeito como esta nova fase de Carol é apresentado faz deste título um dos mais honestos protagonizados por personagens super-heróicas femininas do mercado editorial de HQs da atualidade. Uma leitura divertida, bem desenhada e empolgante que provavelmente deve agradar tanto os fãs quanto leitores que não estão muito familiarizados com a mitologia da personagem.

Green Lantern (2011-) #30

Green Lantern 30 começa melancolicamente com o funeral dos Laternas caídos nos últimos confrontos contra o Primeiro Lanterna e contra Relic. A Tropa relembra a morte de Kyle Rayner, que deu sua vida para que o espectro emocional continuasse ativo. Mas a guerra contra a aliança dos guerreiros Khund não espera por ninguém. Por isso Hal Jordan, Killowog e um pequeno time de Lanternas parte para o porto comercial Ebben, nos confins do espaço onde pretendem neutralizar uma nave de guerra hostil chamada Drokkun. Jordan é forçado a combater corpo-a-corpo o Capitão Khu em uma aposta pela vida dos Lanternas contra a nave alienígena.
Robert Venditti consegue transitar entre a ação e momentos mais dramáticos e intimistas nesta edição com bastante facilidade. Apesar das cenas no funeral serem um pouco chatas, elas são necessárias principalmente para humanizar a Tropa, que vem de batalha após batalha sem ter tempo de chorar por seus mortos. O roteirista faz um paralelo interessante entre a cultura da Terra (e da Tropa dos Lanternas) em relação aos mortos mostrando no final como os Khund lidam com a perda de um conhecido em combate. Os diálogos são bons, no entanto achei o combate entre Jordan e o Capitão Khund meio estúpido e fácil demais. Nada que impacte a leitura, mas não tem nada de sensacional na resolução do conflito.
A arte de Martin Coccolo é correta. O desenhista convidado faz um feijão com arroz aqui e não se compromete muito. As cenas no funeral até que são bonitas, mas não existe nenhuma coisa especificamente brilhante em nenhuma parte deste número. Apesar disso o trabalho gráfico não compromete o roteiro de Venditti.
Green Lantern 30 é uma edição razoável. Para quem está acompanhando não é uma leitura desagradável, mas também não é a edição que vai fazer você começar a se empolgar com o trabalho de Robert Venditti nos Lanternas. A HQ tem uma arte que não decepciona, mas não impressiona. A saga atual é morna e somente indicada aos fãs do personagem que não conseguem ficar muito longe desta parte do Universo DC.

Uncanny Avengers #20

Eu adoro escrever resenhas de HQ. Ler alguma coisa e posteriormente dar minha opinião sobre o título é muito prazeroso e esse é realmente o único motivo para eu estar acompanhando Uncanny Avengers hoje em dia. Nesta edição o que restou dos Fabulosos Vingadores se junta aos Chrono Corps de Kang e partem para cima do Conselho-X (se você quer se situar nessa bagunça leia o review da edição 19. Tem um resumo bem condensado sobre a situação no Planeta-X). Alex Summers consegue convencer seu irmão Scott a ajudá-lo e temos cenas de luta entre os X-Men e a nova X-Force (que é praticamente a antiga irmandade de mutantes). No final Thor recupera o machado Jarnbjorn e o time consegue transferir suas mentes para o passado novamente.
Bom, o trabalho de Rick Remender em Uncanny Avengers ficou bem desinteressante desde o início deste arco. Não existe gancho narrativo que prenda a atenção do leitor. Isso se explica principalmente porque o universo proposto pelo autor no título é hermético, passageiro e convenhamos: Todo mundo sabe que no final isso tudo aqui volta ao "normal". Então essa premissa de uma nova "Era dos mutantes" não convence ninguém. O que temos aqui é um elenco ENORME de versões "futuras-alternativas" dos seus personagens favoritos lutando entre si sem muita exploração de personalidades ou desenvolvimento de conflitos. O objetivo da equipe é simplório: Voltar no tempo e consertar tudo. Então se você gosta de ser enganado, boa viagem.
A arte de Daniel Acuna é uma péssima escolha para este título. O traço simplificado e meio rústico do desenhista não combina nem um pouco com a escala épica do arco e apesar do design dos personagens ser interessante a execução das cenas é pobre e sem apelo. Particularmente prefiro artistas como Acuna em HQs solo de personagens "urbanos". O surrealismo e a ficção não ganham em nada com este tipo de arte menos detalhada.
Uncanny Avengers 20 é uma HQ com bastante ação e cenas de luta. Se isso for suficiente para você pegar esta edição, fique a vontade. No entanto continuo achando o arco simplório, raso e por vezes confuso. O elenco é inchado demais e o universo criado por Rick Remender não encanta pois não consegue convencer quem lê de que aquilo ali é permanente. A arte é inadequada e nem um pouco épica e a HQ não oferece nada de interessante ao leitor tanto de Vingadores quanto de X-Men. 

sábado, 2 de agosto de 2014

Amazing Spider-Man (2014-) #2

Peter está de volta e nesta edição realmente se dá conta de que agora tem um doutorado, uma empresa, uma namorada apaixonada e um puta problema com os Vingadores. Em ASM 2 vemos como Parker lida com a inabilidade em gerenciar os projetos deixados por Otto Octavius, sua confusa vida amorosa e toda a desconfiaça por parte de seus colegas de equipe. De maneira geral o Aranha consegue contornar parcialmente estes problemas e ainda por cima impede Electro, que está com seus poderes fora de controle (mais um presentinho de Otto), de destruir a cidade.
Dan Slott escreve novamente uma edição muito divertida de ler. O conceito "homem fora do tempo" é aplicado aqui ao Homem-Aranha de forma bem leve e bem humorada. Neste número o Aracnídeo recebe até conselhos de dois "ex-exilados" (Steve Rogers e Johnny Storm) sobre como lidar com as mudanças no período em que esteve "fora" do Universo Marvel. Passagens de ação boas e diálogos muito engraçados por toda esta edição. Tudo que os fãs do Aranha ansiavam. A interação do protagonista com o elenco de apoio gera situações bem divertidas e é interessante notar a procupação de Dan Slott com o contexto atual da Marvel (notado nas cenas entre Peter Parker e Johnny Storm).
A arte de Humberto Ramos não é totalmente desastrosa. Percebe-se que com prazos mais confortáveis o artista até consegue fazer um trabalho gráfico aceitável em um título regular. Particularmente não curto muito o traço de Ramos, mas toda esta HQ tem uma arte caprichada e não dá pra dizer que o trabalho gráfico aqui é corrido ou mal feito. Trata-se de uma questão de gosto pessoal.
As primeiras páginas de Amazing Spider-Man 2 trazem de cara uma intrigante surpresa que deve manter os leitores presos a esta narrativa por algum tempo ainda. O resto da leitura continua com o tom leve e despretensioso da edição de estréia, uma arte que apesar de não ser ruim pode não agradar a todo mundo e é uma leitura indicada fortemente para os cabeças-de-teia saudosos de histórias menos complicadas. Apesar disso, para os fãs mais novos também é uma leitura bem confortável principalmente por você saber tanto quanto Peter Parker sobre o que aconteceu em seu período de afastamento. Avaliando friamente a HQ em si não tem nada de espetacular e se você não tem interessse ou apego com o personagem, não é este novo run que deve te motivar a sair gastando seu dinheiro. A sugestão é aguardar um pouco, mesmo porque o retcon de Original Sin promete abalar um pouco a estrutura desta publicação e além disso o evento Spider-Verse deve bagunçar muito mais a vida do aracnídeo mais famoso das HQs este ano.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Swamp Thing (2011-) #29

Alec Holland é apresentado a um culto de adoração ao Monstro do Pântano chamado "Sureen". Capucine re-encontra o irmão Jonah e enquanto isso os ex-avatares do verde Lady Weeds e o "Lobo" perambulam por Nova Orleans em busca de financiamento para seus novos planos.
Charles Soule escreve uma edição um pouco parada aqui. Neste número temos basicamente uma introdução ao conceito do culto ao Avatar do Verde e algumas cenas dos ex-avatares andando pela cidade meio naquele esquema de "Sou malvadão e vim do passado e tudo isso é novidade pra mim". Os diálogos não são ruins, mas pouca coisa relevante realmente acontece. Quando você está prestes achar que foi uma edição perdida felizmente vem o final e temos um excelente cliffhanger para os próximos números.
A arte de Jesus Saiz é o pilar de sustentação neste número. O sujeito desenha qualquer coisa com extrema facilidade e competência e acho que estou me repetindo, mas Swamp Thing é uma das HQs mais bem desenhadas da DC Comics atualmente se não for a mais bem feita. Todos os personagens são muito caprichados, os quadros são lindos e a cena em que o Monstro alimenta o culto com seus "frutos" é bizarra, meio perturbadora e maravilhosa de ver.
Swamp Thing 29 é uma leitura que vale mais pela parte gráfica. Esse novo arco "Gift of the Sureen" começa bem devagar e se não fosse pelo gancho deixado no final e pela arte sensacional de Jesus Saiz eu poderia considerar esta uma edição ruim. Felizmente o roteiro morno de Charles Soule tem seu propósito nas páginas finais revelado e é salvo pelo trabalho do desenhista escalado aqui, que é acima da média. 

Ms. Marvel (2014-) #4

Ms. Marvel 4 já começa em um clima meio de desespero devido ao cliffhanger do número 3. Aqui descobrimos um poucos mais sobre a natureza e extensão dos poderes inumanos de Kamala Khan. Sua identidade "secreta" é meio que já revelada a seu melhor amigo e a heroína sensação da Marvel atualmente parte para sua primeira missão de fato (sem a permissão de seus pais logicamente).
A autora G. Willow Wilson novamente nos entrega uma delícia de roteiro nesta quarta edição. Começando pela cena do assalto, passando pelos diálogos entre a protagonista e seus pais e culminando em uma boa sequência de ação final. Tudo aqui é doce, fofo e engraçadinho, mas sem perder aquela sensação de perigo imediato. A protagonista é uma pessoa real como eu e você que pode se machucar e até morrer. Isso fica claro desde o início desta edição. Em um universo cheio de histórias épicas o tom intimista, "pé no chão" e mais familiar de Ms. Marvel é uma leitura revigorante. Principalmente se você for uma adolescente nerd e confusa como Kamala. Ela representa todos nós. As referências a cultura pop existem e não são gratuitas. Tudo se encaixa com o roteiro que parece simples, mas é muito bem planejado e tem uma execução impecável.
Adrian Alphona não decepciona e nos apresenta um trabalho gráfico LINDO e diferenciado novamente. Cada figura, seja ela um protagonista, um mero coadjuvante ou um figurante tem a sua personalidade gráfica muito bem definida. O tom da HQ é dado pelo roteiro, mas também em grande parte pela apresentação de Alphona que faz questão de mostrar a New Jersey de Kamala como a minha ou a sua vizinhança. A protagonista é uma adolescente desajeitada e a evolução para o status de super-heroína é natural e gradativa. Tudo isso é retratado com perfeição através da linguagem corporal da jovem heroína.
Ms. Marvel 4 é uma edição muito forte. Wilson consegue apresentar novas matizes das habilidades da protagonista, estabelecer bases de relacionamentos entre o elenco de apoio e introduzir situações de conflito e amadurecimento para Kamala Khan. Isso tudo de uma maneira divertida, diferente e extremamente natural. Lendo Ms. Marvel sinto como se estivesse conversando com um amigo e ele me contasse como foi seu dia. A autora consegue estabelecer esse vínculo com você sem forçar a barra. A arte de Adrian Alphona é consistente, diferente de tudo que é feito em revistas mensais atualmente e muito familiar. Por esses motivos o título é um sucesso de vendas atualmente e quando chegar ao Brasil é fortíssimo candidato a se tornar uma leitura obrigatória para fãs de HQs jovens e mais velhos.

The New 52: Futures End #10

Chegamos a décima semana de Futures End. Nesta edição vemos um Superman obcecado em encontrar o criminoso Boyer, que escapou da prisão em Metrópolis na edição número 9. O Azulão é questionado por Lois Lane e suas respostas parecem não fazer sentido algum. Será que o crack também pegou o último filho de Krypton? De volta a Nova York, Plastique e sua gangue planejam invadir o prédio da Terrifictec no boteco de Tim Drake. Os três recebem uma ajuda de Terry McGinnis, o Batman do Futuro. Terry pelo visto não aprendeu nada com Bruce Wayne sobre disfarçar sua identidade secreta, pois é reconhecido por Tim. Nos confins do espaço, mais especificamente no sistema Huron, Safira e Gavião Negro recebem um sinal do Stormwatch e na Ilha Cadmus, Grifter toma mais porrada. Ah, quase ia me esquecendo... uma tal Jane Kirby dá as caras no Canadá. Chega de Spoiler.
Apesar do final muito empolgante toda esta edição é bem parada. Os diálogos são bem chatinhos e quase não temos ação. Existe a cena com Lois e Superman que é um pouco esquisita e até interessante, mas tive dificuldade para concluir a leitura desta edição. As cenas na Cadmus particularmente são muito chatas e totalmente desnecessárias. Tudo o que poderia ser estabelecido sobre Grifter, Fifty Sue e o Exterminador já foi feito. É hora da ação nesse núcleo narrativo.
A arte de Aaron Lopresti neste número é especialmente horrorosa. Tirando a cena com o Superman que é aceitável o resto é bem mal feito. O enquadrmaneto até que não é ruim en não é difícil acompanhar a história, mas as caracterizações são horríveis e o design das cenas é bem simplório e sem apelo.
Futures End 10 é uma passagem muito fraca da saga semanal da DC Comics. Com um roteiro no qual praticamente nada que mova as tramas acontece e uma arte indigesta fica muito complicado se divertir lendo este número. Este tipo de edição é totalmente dispensável e só serve mesmo para arrancar dinheiro do leitor que está acompanhando. Apesar de no plano geral eu estar curtindo este título fiquei bem decepcionado desta vez com a equipe de roteiristas. A estrutura (baseada em 52) e o ritmo mais cadenciado da saga não são incômodos para mim, meu problema são edições como esta, nas quais pouca coisa realmente acontece e temos uma arte capenga.