segunda-feira, 7 de julho de 2014

The New 52: Futures End #7

Mais uma porrada de informações em um espaço curtíssimo de tempo. Em pouco menos de 23 páginas vemos um quebra-pau entre Adão Negro e Frankenstein no meio da Zona Fantasma; Lois Lane recebe uma visita de Madison Payne, a namorada de Tim Drake; vamos até a ilha Cadmus e descobrimos que Exterminador é um dos residentes; vemos também por onde andam Jason Rusch e Ronnie Raymond depois que se separaram e ainda tem o quebra pau entre Batman do Futuro e Mr. Terrific no meio do Madison Square Park. Ah, esqueci de mencionar... Plastique e Terrific descobrem o que Terry McGinnis trouxe do futuro.
Eu não sei como Brian Azzarello, Keith Giffen, Dan Jurgens e Jeff Lemire fazem isso, mas os caras conseguiram condensar uma caralhada de tramas paralelas em uma única edição e fazem a história andar a passos largos aqui. Os diálogos são bem diretos e sem nenhuma enrolação. Não espere nenhuma cena com conversas muito extensas nem voice boxes contemplativos. Futures End 7 é frenética do início ao fim.
A arte de Aaron Lopresti no entanto não aguenta o tranco do ritmo acelerado imposto pela equipe de roteiristas. O desenhista entrega um trabalho bem fraco nesta edição. Lopresti transita no limite da simplicidade e mediocridade, deixando todas as cenas bem sem graça, se complicando nas cenas de ação e deixando o visual dos personagens totalmente genérico. Em muitas partes a história carece de uma apresentação que atenda o impacto que os autores planejaram com este roteiro. Entretanto o desenhista fracassa em maravilhar ou chocar o leitor.
Futures End 7 é uma leitura extremamente veloz. A enorme quantidade de tramas paralelas não deixa o leitor nem muito confortável nem sonolento. A história vai avançando em um ritmo bem legal e apesar da arte ser ruim nesta edição não considero esta uma leitura desagradável.

Saga #20

É a segunda edição desde que a equipe criativa de Saga entrou em recesso e já temos muita coisa pra nos preocupar. Nesta edição Vemos Alana cada vez mais envolvida no trabalho de atriz e Marko leva a pequena Hazel a sua primeira aula de dança. Enquanto isso a Princesa Robô e seu bebê ainda esperam a volta do Príncipe Robô IV, que aparentemente está hospedado em um puteiro após o conflito da edição 18. No entanto a nova mamãe e seu filho correm muito perigo no palácio real e nem sabem disso.
Neste número, excluindo uma cena no palácio real que muda bastante o rumo da história, não temos nada demais acontecendo. Mas como já escrevi antes, em Saga não precisa acontecer muita coisa pra que você tenha uma leitura prazerosa. Brian K. Vaughan novamente nos presenteia com diálogos excelentes, um início hilário e bem erótico e boas cenas seja no trabalho de Alana ou com Marko e Hazel ou outros personagens. Toda a narrativa é muito humana apesar do envelope no qual a história é entregue seja o absurdo e o fantástico.
Fiona Staples é uma das minhas desenhistas favoritas atualmente e novamente a moça não decepciona. Hazel cresceu e é uma criança linda no traço de Staples. A artista é tão versátil que consegue mesclar com maestria belas cenas da bebê na aula de dança, com outras onde se vê uma orgia alienígena e uma outra onde vemos um brutal assassinato. Tudo com a mesma naturalidade que emociona e choca o leitor a cada página.
Saga 20 é compra certa pra quem já vem acompanhando as desventuras de Alana, Marko e sua família. Na verdade quem já compra este material mensalmente nem lê resenhas a respeito pois já sabe da qualidade do material. Pra quem não conhece isto aqui é um exemplo do que a indústria de quadrinhos tem de melhor a oferecer hoje em dia. Uma história insana, bruta, linda, emocionante e principalmente humana. Se você não conhece Saga aconselho ler desde o início e o desafio a parar.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Original Sin #5

O misterioso evento de verão da Marvel chega a sua segunda metade. Na quinta parte de Original Sin descobrimos o que Nicholas Fury vem fazendo paralelamente a seu trabalho como super espião e diretor da S.H.I.E.L.D.desde o finalzinho da década de 1950. O que Nick tem feito desde aquela época é matar. Matar muito.
Jason Aaron sabiamente dá um tempo no formato das edições anteriores (múltiplos núcleos narrativos) e escreve uma edição inteira na qual lemos sobre o passado obscuro do espião e sua influência nos bastidores da história do Universo Marvel nos últimos 60 anos. Para os reclamões, isso aqui não chega a ser um retcon  e sim uma história oculta que mostra a relação do personagem com Howard Stark, os Skrulls e com os assassinatos descobertos pelos grupos de heróis nas edições anteriores. É muito interessante enxergar a história do Universo Marvel sob o olhar de Fury, uma boa amostra disso é a cena mostrando o início de carreira do Homem-Aranha. Aaron nos entrega um ótimo exemplo de como uma viagem ao passado pode ser interessante e divertida sem apelar para os malditos retcons. Ah, e a única fala do Justiceiro em toda esta edição me fez gargalhar. Ponto para o roteiro.
A arte de Mike Deodato mantém o ótimo nível das edições anteriores. Apesar de termos um elenco menos diversificado aqui o desenhista nos entrega quadros clássicos em cenas de espionagem. Temos aqueles headshots certeiros de Fury e cenas de ação com enquadramento muito bem pensado na invasão alienígena inicial. Durante os flashbacks o artista usa o recurso dos "quadros em branco" em algumas páginas novamente dando a entender que Fury não está contando exatamente tudo o que aconteceu e ainda esconde alguma surpresa. Ótimo trabalho gráfico em toda esta edição novamente.
Original Sin faz uma bem vinda pausa para revelar um de seus grandes "pecadores" (trocadilho meio estúpido, eu sei). Jason Aaron escreve (notem que não usei o termo "re-escreve") mais um capítulo secreto da história da Marvel e consegue resgatar a relevância que Nick Fury já teve na editora algum dia. Este é um tipo de história bem delicada para um roteirista pois qualquer escorregão pode ocasionar uma lambança cronológica e um festival de mimimi por parte dos fãs. Felizmente o autor trilha um caminho seguro e enriquece a história da editora sem fazer nenhum estrago. A arte se mantém impecável e fico bastante otimista com o futuro da saga.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

New Avengers (2013-) #19

Finalmente chegou o momento dos Iluminatti decidirem o que fazer com o universo que está em curso de colisão com o 616. Nesta edição Jonathan Hickman nos leva até o ponto de incursão entre a Terra 616 e a Terra 4,290,001 no qual os protagonistas ficam frente a frente com a Grande Sociedade. Ainda nesta edição Maximus aproveita que está sozinho e resolve mexer no cubo de contenção de Thanos e do que restou do Cull Obsidian.
Hickman conduz de maneira brilhante este número aproximando Bruce Banner e Hank McCoy de maneira bem natural e acentuando a área cinza de moralidade onde caminham o Iluminatti. O confronto na incursão é a última alternativa para todos mas ele vai acontecer. O sentimento de inevitabilidade que o roteirista construiu tão bem desde o início de New Avengers aqui é o combustível para diálogos brilhantes entre os Iluminatti e a Sociedade. Em poucas frases o autor consegue demonstrar o melhor e o pior de cada personagem até que a edição converge para o inevitável quebra-pau. Destaque para Namor aqui. Não quero spoilear, mas vibrei com a atitude do monarca frente ao fim iminente.
A arte de Valério Schiti é ótima. As expressões faciais são um ponto forte nesta edição onde o elenco todo está com os nervos a flor da pele e quando é necessário o desenhista entrega quadros épicos e lindos dos heróis. Tudo é bem detalhado e as caracterizações são muito distintas. Cada personagem aqui tem seu porte físico e maneirismos muito bem pontuados. Colorização impecável e tomadas de ação impactantes fazem dessa edição uma vitória na parte gráfica.
New Avengers 19 é meio que o "pagamento" que o leitor mais impaciente estava esperando há algum tempo. Acabaram as observações, diálogos filosóficos e especulação sobre como encarar o fim. Ele está aqui. Justamente porque este grupo de personagens (incluindo a Grande Sociedade) é colocado em uma situação em que são obrigados a engolir um remédio amargo e ferir seus princípios primordiais é que essa edição se torna muito mais do que um "Avengers vs JLA". Isso aqui é a desconstrução do super-herói e são raras as vezes em que temos oportunidade de ler algo desse tipo escrito e desenhado de forma tão competente.

Avengers (2012-) #31

Traição + 422 anos. A jóia do tempo arremessa o time de Vingadores composto por Capitão América, Viúva Negra, Thor, Hipérion e Starbrand para um futuro ainda mais distante e obscuro. Bem vindos ao Planeta Ultron, onde a inteligência artificial criada por Hank Pym substituiu e / ou dizimou quase por completo a população humana da Terra (bem original, não?). Aqui o Capitão, Thor e a Viúva encontram versões sintéticas suas (menos Thor, ele encontra a si mesmo) e são mantidos em cativeiro enquanto recebem informações e presentinhos do futuro.
Jonathan Hickman entrega uma edição um pouco parada aqui e apesar de termos diálogos interessantes entre as versões futuras dos Vingadores e os heróis atuais não consegui me empolgar muito com esta leitura. Talvez pelo uso do conceito do Ultron que já não é nada muito novo, ou talvez por não ver o objetivo do autor em lançar os Vingadores no futuro ainda, ou talvez porque estou meio de saco cheio de futuros hipotéticos que não se concretizam nunca na Marvel. Os diálogos de Hickman continuam bem mornos e não consigo simpatizar com nenhum dos protagonistas aqui. Todos soam mecânicos e frios demais, mesmo em comparação com as máquinas.
A arte de Leinil Yu também não ajuda em quase nada pra deixar a leitura menos sonolenta. O artista não mostra nada de novo ou interessante no Universo Marvel 400 anos no futuro. Os personagens tem aquele aspecto meio "cool desleixado" bem característico do desenhista com um traço bem rabiscado e quase desforme em algumas cenas. Como já disse várias vezes acho Yu um bom artista, mas a escolha errada para este título.
Sinto que Avengers 31 faz parte do "grande plano" de Jonathan Hickman para o título. Consigo identificar o cuidado com a construção de uma trama complexa, inovadora, abrangente e cheia de nuances filosóficas. No entanto o autor demora tanto atualmente para mostrar algo um pouco mais concreto que corre o risco de alienar grande parte dos leitores que geralmente querem alguma coisa menos abstrata pra ler. A arte nesta edição é bem fraca e francamente eu esperava mais da Marvel 400 anos no futuro. Seja lá qual linha temporal os Vingadores estejam navegando.

Swamp Thing (2011-) #27

Alec Holland está preso dentro do verde junto com os outros antigos Avatares, mas a coisa não é tão ruim dentro da dimensão vegetal. Todos podem fazer o que quiserem e terem todos os seus desejos realizados. Infelizmente para o Alec isso não é suficiente. Holland tem que voltar para a Terra e impedir o novo Avatar antes que ele transforme o planeta em uma selva infinita. Com isso o Monstro do Pântano pede ajuda a antigos Avatares como o Lobo (outro Lobo) e Lady Weed. A solução radical é cortar os laços do Parlamento Verde com o mundo exterior e encarar o Semeador novamente.
Charles Soule escreve uma ótima história neste número colocando o protagonista em uma montanha russa de forma bem inesperada. Lendo o início da HQ eu estava com a impressão de que ainda levaria mais uma edição pra que Holland conseguisse se libertar do Parlamento corrupto e enfrentar finalmente o novo Monstro do Pântano. O roteirista consegue neste número resolver estes dois conflitos sem deixar a história corrida ou confusa. De quebra o autor ainda desfaz toda a relação que o protagonista tinha estebelecida com o Verde desde o início do título e tão bem construída por Scott Snyder.
A arte de Jesus Saiz é sensacional. Uma das melhores artes que já vi neste título (que geralmente tem um trabalho gráfico de alto nível). O cuidado com a caracterizão de cada Avatar é impressionante.  A criatividade do desenhista para criar novas versões do Monstro,  os cenários, o enquadramento das cenas de ação e as soluções narrativas... Tudo aqui é extremamente bem feito.
Swamp Thing 27 é uma leitura muito empolgante. Se você estava achando essa fase escrita por Charles Soule um pouco parada ou mesmo se, como eu, estava gostando do material do roteirista vai adorar este número. O autor coloca o personagem em seu devido lugar novamente após uma jornada bem interessante e redesenha o conceito que já parecia bem cimentado desde a era Scott Snyder, deixando tudo daqui pra frente bastante imprevisível.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Superman/Wonder Woman (2013-) #7

O início desta edição trata das repercussões finais do confronto com Zod e Faora. A explosão atômica usada por Kal-El e Diana para fechar o portal para a Zona Fantasma quase mata o casal. Naturalmente os dois protagonistas tiram um tempo para se recuperarem nesta edição e temos algumas cenas mais casuais entre os amantes. O final no entanto é um prelúdio para o retorno de Apocalipse que volta a assombrar o Super-Homem na saga "Doomed".
Charles Soule aqui dá um tempo na ação e usa esta edição para reforçar os laços entre os dois protagonistas. Essa tem sido a estratégia do autor neste título: Geralmente uma edição cheia de momentos de ação seguida de uma mais pessoal. Os diálogos entre Clark e Diana aqui são bem humanos e é legal ver os dois se divertindo um pouco para variar. Muita gente pode até reclamar disso. Particularmente acho muito bom que haja esta preocupação com o lado pessoal da relação e vejo como benéfica para os personagens esse tipo de história. A leitura pra mim não cansou.
A arte é uma colaboração de Paulo Siqueira, Eddy Barrows e Barry Kitson. Uma idéia muito boa. Siqueira e Barrows tem traços bem compatíveis enquanto Kitson é sempre um prazer em rever. Além disso foi ótimo dar um tempo a Tony Daniel que parecia já meio saturado e repetitivo na edição anterior. Temos cenas muito bonitas do casal lutando por sua vida no início da edição e outras igualmente belas dos dois em Londres se divertindo. Destaque para a cena de Clark e Diana em uma casa de shows dançando. Melhor cena da HQ.
Superman/Wonder Woman 7 é uma curta pausa para respirar antes da tempestade que chegará com o retorno de Apocalipse aos títulos do Superman. Este número mostra novamente que nesta HQ o roteirista sempre preza por uma história compartilhada entre os dois personagens e não uma história de um ou outro com uma participação especial. A edição tem muito pouca ação, mas me divertiu pois mostrou um pouco de humanidade e vulnerabilidade desses personagens tão austeros e queridos.